Configurações espaciais entre cinema e teatro no filme O Ébrio

Palavras-chave: O Ébrio, Gilda de Abreu, Mise en scène, Teatro, Intermidialidade

Resumo

Lançada em 1941 com grande sucesso, a peça teatral O Ébrio de Vicente Celestino foi transposta para o cinema por Gilda de Abreu na Cinédia em 1946. O artigo analisa continuidades, intersecções e entrelaçamentos entre teatro e cinema na forma do filme de Abreu em perspectiva histórica, com o objetivo de observar como esses elementos integram a composição espacial do filme. Se esses fatores estão diretamente relacionados a uma concepção de mise en scène que privilegia o movimento interno no plano, caracterizando seu estilo, o estudo da alusão ao espaço cênico é feito a partir de recorrências nos seguintes procedimentos: a encenação em tableau, os espaços vazios próximos à câmera, o uso das figuras dorsais e a existência de uma plateia diegética. Observa-se assim a reatualização de técnicas comuns entre as duas mídias envolvidas na adaptação e a existência de vestígios estilísticos relacionados a outros períodos históricos.

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Biografia do Autor

Margarida Maria Adamatti, Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), São Carlos, SP, Brasil.

Doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, SP, Brasil; professora do Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som (PPGIS/UFSCar) e pesquisadora de pós-doutorado (PNPD/CAPES) da Universidade Federal de São Carlos, em São Carlos, SP, Brasil.

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Publicado
2020-12-21
Como Citar
Adamatti, M. M. (2020). Configurações espaciais entre cinema e teatro no filme O Ébrio. Revista FAMECOS, 27, e37362. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2020.1.37362
Seção
Cinema