O retrato da bailadeira de Goa

A estranha revelação da constelação familiar em Nâttak (1963), da escritora goesa Vimala Devi (1932)

Palavras-chave: Literatura goesa, Narrativa, Teatro popular, Tevelação, Tabu

Resumo

O objetivo do estudo é analisar no conto Nâttak (1963), de Vimala Devi, inserido na paisagem cultural hindu de Goa, antiga colônia portuguesa no Índico, o ilícito relacionamento da bailadeira Zayú com Babú Candolcar e as marcas sociais e psicológicas nos descendentes: Durgá, a admiradora do teatro popular, e Tukaram, o protagonista da rasa de amor, Gitagovinda, poema-canção, de Jayadeva (início do século XIII), que narra as afetividades da divindade Krisna com a pastora Râda. A fotografia da célebre dançarina, mãe da moça, evoca no jovem artista um terrível sentimento de interdito, que será interpretado, segundo as concepções de Aristóteles (peripécia e anagnórise), de Sigmund Freud (incesto) e de Claude Lévi-Strauss (tabu).

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Biografia do Autor

Denise Rocha, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza (UFC), CE, Brasil

Doutora em Literatura e Vida Social pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Assis, SP, Brasil. Foi Professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará, nos anos 2015 a 2019.

Kleber Bezerra Rocha, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza (UFC), CE, Brasil

Doutorando em Literatura Comparada pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza, CE, Brasil; coordenador na Secretária Municipal de Educação de Eusébio, em Eusébio, CE, Brasil.

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Publicado
2021-08-18
Como Citar
Rocha, D. ., & Rocha, K. B. (2021). O retrato da bailadeira de Goa: A estranha revelação da constelação familiar em Nâttak (1963), da escritora goesa Vimala Devi (1932) . Navegações, 14(1), e37188. https://doi.org/10.15448/1983-4276.2021.1.37188
Seção
Ensaios