Informar, performar
o duplo movimento em As Armas e o Povo com a presença de Glauber Rocha
DOI:
https://doi.org/10.15448/1980-864X.2026.1.48621%20Palavras-chave:
Glauber Rocha, As Armas e o Povo, Revolução dos Cravos, performatividade, mediaResumo
As Armas e o Povo (1975), documentário produzido pelo Coletivo de Trabalhadores da Atividade Cinematográfica de Portugal sobre a Revolução dos Cravos, conta com a participação de Glauber Rocha nas tomadas de rua do 1º de Maio de 1974 – primeira comemoração popular após a recente queda do regime ditatorial. Este artigo versará sobre o duplo movimento da montagem dessa produção: dar conta do acontecimento (a tomada das ruas com a presença do cineasta terceiro-mundista) e do contexto que pôs fim ao regime. Para isso, será analisado como a montagem se equilibra entre o esforço de informar o espectador sobre o contexto histórico e de explorar os efeitos de sentido produzidos pela presença performática de Glauber Rocha no campo da imagem. Ao indicar as modulações que permitem perceber o senso de performatividade do diretor terceiro-mundista manifesto dentro e fora de campo, procura-se demonstrar como esse gesto disruptivo, que produz um diálogo entre o ensaísmo crítico e o jornalismo inventivo, sugere uma nova audiovisualidade incorporada ao projeto estético e político de Glauber Rocha.
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