Guerra justa, hermenêutica política e pluralismo religioso em John Rawls e Claude Geffré

Nythamar de Oliveira, Tiago de Fraga Gomes

Resumo


Para John Rawls é primordialmente importante para o Direito dos Povos que a justiça seja assegurada pela estabilidade de sociedades liberais e decentes. Uma intervenção militar com fins humanitários ou autodefesa seria uma resposta legítima aos abusos perpetrados pelos grupos ou Estados “fora da lei”, na medida em que fomentam a guerra e o terrorismo, o que poderia ser caracterizada como uma instância de “guerra justa”. A hermenêutica política emerge no espaço de razão pública onde se propõe a conciliação e o acordo entre as doutrinas religiosas e as concepções abrangentes de bem comum, com seus conflitos e incompatibilidades. O liberalismo político busca acomodar tal pluralidade de doutrinas abrangentes razoáveis através do consenso sobreposto. Claude Geffré propõe uma teologia com orientação hermenêutica como uma nova postura política diante do pluralismo hodierno. O enigma da alteridade plural das concepções religiosas manifesta a riqueza espiritual da vivência humana do divino, porém, levanta importantes questionamentos para a convivência social. Rawls e Geffré convergem quanto ao problema hermenêutico da justificação normativa postulada num contexto pluralista de reconhecimento do outro e de tolerância em face às querelas irreconciliáveis.


Palavras-chave


Guerra justa. Teologia política. Pluralismo religioso. John Rawls. Claude Geffré.

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