Uma análise do contexto do estudante cotista e de sua permanência em um curso técnico integrado em alimentos
DOI:
https://doi.org/10.15448/2179-8435.2025.1.45389Palavras-chave:
cotas raciais, permanência e êxito, educação profissional, técnico integradoResumo
O presente artigo trata das relações étnico-raciais e cotas na educação profissional tecnológica. Tem como objetivo refletir sobre o acesso, a permanência e o êxito de estudantes que ingressaram no curso técnico em alimentos, integrado ao Ensino Médio, no Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, campus Rio Pomba, por meio da Lei n. 12.711 (Brasil, 2012). A metodologia adotada para a presente pesquisa foi de cunho qualitativo. A coleta de dados se deu por meio de revisão bibliográfica, análise documental e questionário aplicado aos diretores de ensino, de pesquisa e de extensão. Ao analisarmos o projeto pedagógico do curso, notamos que os conteúdos relacionados ao ensino de história e cultura africana e afro-brasileira são encontrados apenas em algumas disciplinas, como Artes, Sociologia e História, de maneira isolada. A Lei n. 10.639 (Brasil, 2003) não é mencionada em nenhum item do projeto pedagógico do curso, e há poucas informações sobre os mecanismos para seu cumprimento. As análises realizadas em torno da situação acadêmica dos estudantes cotistas raciais do Curso Técnico em Alimentos, integrado ao Ensino Médio, indicaram que as cotas foram eficazes, pois, além de diminuir a distorção histórica sobre o acesso ao ensino de qualidade, o desempenho dos estudantes foi semelhante ao dos estudantes que ingressaram pela ampla concorrência. Constatamos que existem, no âmbito das diretorias de ensino e de extensão, ações voltadas à permanência e ao êxito dos estudantes do grupo – a saber, pretos, pardos e indígenas (PPIs). No entanto, percebem-se indícios de falta de articulação de um trabalho integrado entre as diretorias de ensino, de pesquisa e de extensão, além de uma clara dependência da reitoriado grupo – PPIs
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