Vinte anos após a Lei n. 10.639/2003
as encruzilhadas da Educação Física Escolar
DOI:
https://doi.org/10.15448/2179-8435.2025.1.45348Palavras-chave:
cultura, pedagogia das encruzilhadas, ordenamentos legais, Educação Física EscolarResumo
O presente artigo é produto de uma síntese do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de mesmo nome, que foi motivado pelo aniversário de 20 anos da Lei 10.639 (Brasil, 2003) e objetivou analisar as suas encruzilhadas com a Educação Física Escolar (EFE). Foi realizado um estudo teórico, produto de um levantamento bibliográfico de teses, artigos e livros que dialogou com a temática, utilizando como referência o materialismo histórico-dialético e uma epistemologia contracolonial para analisar os fenômenos do racismo e da colonialidade. Nesse caminho, conversamos com Simas e Rufino (2018) para engolir a educação pautada na égide da cruz e cuspi-la como encruzilhada, campo de vida, existência e trocas dessa “Améfrica Ladina”. Dessa forma, conclui-se que a ancestralidade torna-se pilar para a produção de um conjunto de “prespectivas” (preto + perspectivas) capazes de trazer o movimento necessário para a ressignificação da Educação e alteração de um roteiro social, devolvendo ao negro seu protagonismo. A violência produzida pela neurose social do racismo estrutural dificulta a apropriação de uma epistemologia contracolonial. Contudo, defende-se que o uso da comunicação e a valorização daqueles que experienciam a Educação podem promover indivíduos críticos capazes de transformar e, por que não, ressignificar esse sistema historicamente engessado. Junto a isso, a EFE, em seu constante estado de entropia, pode caminhar entre seus limites e suas possibilidades para a transformação de sua práxis pedagógica produzindo um pluriverso pautado em uma docência notoriamente antirracista.
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