Relações étnico-raciais na educação e práticas pedagógicas
problematizações decoloniais como direito social
DOI:
https://doi.org/10.15448/2179-8435.2025.1.45346Palavras-chave:
Racismo na educação escolar, Relações étnico-raciais, Formação continuada de professores, Práticas escolares decoloniaisResumo
Este artigo objetiva problematizar as culturas africana e afro-brasileira na educação, visando à desnaturalização de conceitos estabelecidos dentro do ambiente escolar que reproduzem e reforçam a desigualdade étnico-racial. A discussão integra pesquisas de duas mestrandas de um Programa de Pós-Graduação em Educação, de uma universidade federal situada no norte do Brasil, problematizando, ainda, práticas pedagógicas sobre a questão racial no currículo escolar, de acordo com a Lei n. 10.639 (Brasil, 2003). O artigo tem como base filosófica as ideias de Derrida (2003) e Wittgenstein (2022), com foco no viés de desconstrução do colonialismo, advindo do capitalismo, por meio da decolonialidade. O objeto de análise constitui-se de: documentos oficiais; discussões na disciplina Formação de Professores e Práticas Docentes, envolvendo o documentário Escolarizando o mundo (Black, 2010); minicurso ministrado no IV Colóquio Nacional de Educação Escolar, problematizando práticas pedagógicas decoloniais na formação de professores(as) sobre a prática do racismo na educação escolar. Os resultados apontam não apenas a naturalização do racismo na escola e na sociedade, mas também o desconhecimento e a não percepção de tal naturalização por muitos docentes; daí a relevância da formação de professores para a efetiva adoção de práticas pedagógicas antirracistas.
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