Insensibilidade e estranhamento nas cidades

O poder simbólico da arquitetura hostil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/2179-8435.2022.1.43020

Palavras-chave:

arquitetura hostil, desigualdade social, gênero, poder simbólico, educação para a visão

Resumo

Em nossa rotina diária, muitas vezes, não percebemos (estranhamos) a formação de arquiteturas hostis que foram constituindo-se ao longo dos anos nos espaços urbanos. Este trabalho propõe-se a analisar a arquitetura hostil a partir do conceito de poder simbólico de Bourdieu por meio de uma educação para a visão. Observamos o quanto esses recortes (representados pelas fotografias) podem exercer pressões de regulações de gênero bem como promover o combate às vítimas e não à causa dos problemas sociais – retira-se a possibilidade das pessoas de permanecerem em locais e ignora-se a necessidade de espaços de convivência ou, em maior medida, enfatiza-se as desigualdades sociais.

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Biografia do Autor

Daniela Mesquita Leutchuk de Cademartori, Universidade La Salle (Unilasalle), Canoas, RS, Brasil.

Doutora e mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catariana (UFSC), em Florianópolis, RS, Brasil. Professora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Direito da Universidade La Salle (Unilasalle), em Canoas, RS, Brasil. Coordenadora do Projeto Universal/CNPq, “Em Busca de Novas Gramáticas para os Direitos Humanos: inovações sócio-jurídico-políticas na América Latina e África”. 

Glauce Stumpf, Universidade La Salle (Unilasalle), Canoas, RS, Brasil.

Mestra em História Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, RS, Brasil. Doutoranda em Educação na Universidade La Salle (Unilasalle), em Canoas, RS, Brasil.

Jacson Gross, Universidade La Salle (Unilasalle), Canoas, RS, Brasil.

Mestre em Direito pela Universidade La Salle (Unilasalle) – área de concentração Sociologia Jurídica, em Canoas, RS, Brasil. Doutorando em Direito na mesma instituição.

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Publicado

2022-10-21

Como Citar

Cademartori, D. M. L. de, Stumpf, G., & Gross, J. (2022). Insensibilidade e estranhamento nas cidades: O poder simbólico da arquitetura hostil. Educação Por Escrito, 13(1), e43020. https://doi.org/10.15448/2179-8435.2022.1.43020