Afinidade electivas

Carlos Porto, Mário Sério e uma ideia de (crítica de) teatro para a construção da democracia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-864X.2026.1.48672

Palavras-chave:

Bertolt Brecht, Teatro de revista, Teatro e política, Crítica teatral, Ética

Resumo

Este artigo propõe uma análise comparativa da crítica teatral produzida por Carlos Porto e Mário Sério durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, com base num corpus de 225 textos recolhidos nos periódicos Diário de Lisboa e República. Através da base de dados online CETbase – Teatro em Portugal e de pesquisa arquivística complementar, foram identificadas afinidades ideológicas entre os críticos, nomeadamente na defesa de um teatro politicamente comprometido e ao serviço da transformação social. Contudo, a análise revela divergências significativas nos critérios de avaliação e na abordagem crítica: enquanto Mário Sério privilegia uma leitura quase exclusivamente política do teatro, centrada na sua função social e missão ética, Carlos Porto adopta uma postura crítica com mais nuances, integrando elementos estéticos e recorrendo a um aparato teórico mais robusto e diversificado. A comparação das apreciações sobre o teatro de revista e sobre encenações de Brecht evidencia essas diferenças, bem como os distintos graus de inserção de cada crítico no sistema teatral português. Porto, mais próximo dos centros de decisão e com maior experiência, apresenta um programa concreto para a reorganização do teatro nacional, enquanto Sério se posiciona como um agente mais periférico e com uma visão menos consequente da sua crítica. O estudo sugere que, apesar das divergências, ambos os críticos partilham uma visão ética do teatro como instrumento de emancipação política e cultural.

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Biografia do Autor

José Pedro Sousa, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.

Investigador do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde é também professor auxiliar. Doutorado em Estudos de Teatro e mestre em Humanidades digitais, a sua investigação centra-se na história do teatro em Portugal e na edição crítica digital de textos de teatro de autores portugueses. É Investigador Responsável do projecto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) Performance e Teatro no PREC (2023.10644.25ABR), membro da equipa editorial do European Journal for Theatre and Performance, da European Association for the Study of Theatre and Performance (EASTAP), e coordenador do grupo de trabalho Digital Humanities in Theatre Research da International Federation for Theatre Research (IFTR). Em 2023 publicou Fazer Sonhar: Teatro Experimental de Cascais (1965-2023).

Paula Gomes Magalhães, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal

Investigadora do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Doutorada e mestre em Estudos de Teatro pela mesma instituição, a sua investigação centra-se na história do teatro em Portugal, com especial enfoque na iconografia teatral e no teatro popular. É autora de diversas obras sobre o teatro português como Teatro da Trindade 150 anos – O Palco da Diversidade (2017) e Sousa Bastos (2018). É membro da direção executiva da revista Sinais de Cena - Revista de Estudos de Teatro e Artes Performativas e integra as Comissões de Acompanhamento e Avaliação da Direcção Geral das Artes, para a área do teatro.

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Publicado

2026-05-19

Como Citar

Sousa, J. P., & Gomes Magalhães, P. (2026). Afinidade electivas: Carlos Porto, Mário Sério e uma ideia de (crítica de) teatro para a construção da democracia. Estudos Ibero-Americanos, 52(1), e48672. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2026.1.48672

Edição

Seção

Arte e Revolução: De que Cor são os Cravos Vermelhos de Abril?