Quando as ações falam mais que palavras
um estudo exegético-teológico de Mc 11,12-25 à luz do juízo da figueira e da purificação do Templo
DOI:
https://doi.org/10.15448/0103-314X.2026.1.48147Palavras-chave:
Evangelho de Marcos, figueira-templo, juízo profético, exegeseResumo
O presente estudo analisa o texto de Mc 11,12-25 como um ato profético-simbólico que transcende o milagre, integrando denúncia (11,12-14.20-25), anúncio (11,15-19) e ensino performativo (11,22-25). A maldição da figueira e a purificação do Templo articulam-se como juízo divino contra um sistema religioso infrutífero e revelam a cristologia paradoxal do Evangelho segundo Marcos: Jesus, como profeta escatológico e Filho de Deus (1,11; 9,7), redefine o culto autêntico. A intercalação literária destaca a conexão entre a figueira estéril (sem frutos fora de época) e o Templo corrupto (“covil de ladrões”), ambos condenados à inutilidade. Metodologicamente, empregam-se os métodos próprios da ciência exegética, tal como indicada pela Pontifícia Comissão Bíblica, numa análise morfossintática, exegética e teológica, para demonstrar que o episódio anuncia o fim do Templo como eixo salvífico, substituído por uma comunidade alicerçada numa fé autêntica, na oração e no perdão (11,22-25). Conclui-se que o gesto de Jesus, enraizado na tradição profética (Jr 7,11; Os 9,10), expõe a crise do judaísmo institucional e proclama uma nova economia da fé pós-pascal.
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