Interseccionalidade na comunicação de marcas

análise da Vivo em 2020

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-3729.2025.1.47486

Palavras-chave:

Publicidade, Negritude, Interseccionalidade, Semiótica, Representação

Resumo

Este trabalho analisa as representações da negritude na comunicação de marca da Vivo em 2020. Defendemos uma abordagem interseccional semiótica para entender como a marca representa pessoas negras em seus discursos no Instagram e na revista Veja. Os resultados indicam como a Vivo passa a representar mais a negritude em 2020, por meio de datas comemorativas e de conteúdos temáticos veiculados nas redes sociais com mais ênfase que nos anos de 2018 e 2019. Apesar disso, ainda prevalecem problemas na representação de negros únicos e sem vínculos de interação e no uso excessivo de ilustrações, em função do período da pandemia.

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Biografia do Autor

Pablo Moreno Fernandes, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Belo Horizonte, MG, Brasil.

Professor permanente do Programa de Pós-graduação em Comunicação da PUC Minas. Doutor em Ciências da Comunicação (ECA-USP), Mestre em Comunicação (PUC Minas) e publicitário. Vice-líder do grupo de pesquisa em Comunicação, Raça e Gênero – Coragem (UFMG) e integrante dos grupos de pesquisa Bertha (PUC Minas) e GESC3 (USP).

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Publicado

2026-01-09

Como Citar

Moreno Fernandes, P. (2026). Interseccionalidade na comunicação de marcas: análise da Vivo em 2020. Revista FAMECOS, 33(1), e47486. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2025.1.47486

Edição

Seção

Indústria Criativa