A Salomé de Oscar Wilde: Véus, espelhos e decapitações na Belle Époque

  • Maria Cristina Franco Ferraz Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Louise Ferreira Carvalho Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Espelho, decapitação, cultura moderna

Resumo

No final do século XIX, assistiu-se, na cultura ocidental, a uma proliferação obsessiva do tema bíblico de Salomé e da decapitação de João Batista, investigada neste artigo ensaístico a partir da peça Salomé (1893), de Oscar Wilde. A disseminação desse episódio na modernidade já laicizada pode ser lida como um dos indícios mais enfáticos da insistência da época em explorar temas pulsantes: o desejo, a sexualidade, a crise da identidade e da suposta coesão do “eu”. Na esteira de Nietzsche, a obra de Wilde realiza um interessante jogo de véus, de máscaras e de espelhos, elevando o falso a sua mais alta potência. Retomando trechos da peça, ressaltaremos os perigos do olhar e das pulsões que levaram a subjetividade moderna a “perder a cabeça”.

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Biografia do Autor

Maria Cristina Franco Ferraz, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Professora Titular da ECO/UFRJ, Doutora em Filosofia pela Universidade de Paris I-Sorbonne, com 3 estágios pós-doutorais em Berlim, Mestre em Letras pela PUC-RJ, pesquisadora do CNPq.
Louise Ferreira Carvalho, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Brasil.

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Publicado
2017-08-01
Como Citar
Ferraz, M. C. F., & Carvalho, L. F. (2017). A Salomé de Oscar Wilde: Véus, espelhos e decapitações na Belle Époque. Revista FAMECOS, 24(3), ID26065. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2017.3.26065
Seção
Mídia e Cultura