Estética do improviso no cinema de periferia

  • Gustavo Souza USP
Palavras-chave: Cinema de periferia, estética, improviso

Resumo

As análises dos documentários Super gato contra o apagão (Kinoforum, 2002) e Como se rouba a cena no cinema (Kinoforum, 2006) revelam uma significativa presença do improviso – da tomada, das condições de produção, da existência – que se constitui naquilo que denominaremos de estética do improviso, um traço estético importante da produção de filmes nas periferias. Essa discussão encontra ancoragem no conceito de estética de Mikhail Bakhtin. Ao considerar a atividade estética como integrante de um todo sócio-histórico circunscrito, esse autor sinaliza para um duplo aspecto: a rejeição da ideia de “arte pela arte” e a recusa da produção artística como mero reflexo da atividade psíquica e subjetiva do produtor. Esse postulado se revela útil, portanto, para pensarmos a organização estética de filmes realizados em comunidades periféricas.

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Biografia do Autor

Gustavo Souza, USP
Doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Mestre em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ. Graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela UFPE. Organizador do IX Estudos de Cinema Socine (Annablume, 2008) em parceria com Esther Hamburger e Tunico Amancio.

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Publicado
2012-10-08
Como Citar
Souza, G. (2012). Estética do improviso no cinema de periferia. Revista FAMECOS, 19(2), 530-542. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2012.2.11005
Seção
Imagens