O processamento de palavras morfologicamente complexas por crianças com risco de dislexia
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.48036Palavras-chave:
Processamento morfológico, Acesso lexical, Palavras derivadasResumo
Este estudo investigou o processamento de palavras morfologicamente complexas em crianças com risco de dislexia, com foco no efeito do priming morfológico. A pesquisa foi realizada com 16 participantes, com idades entre 9 e 11 anos, divididos em dois grupos: crianças com desenvolvimento típico e crianças com risco de dislexia. Utilizou-se a técnica experimental de Decisão Lexical com priming morfológico, a fim de verificar se o uso de morfemas derivacionais facilitaria o acesso lexical. Foram analisadas variáveis como tempo de reação e desempenho comportamental. Os resultados indicaram que o grupo com risco de dislexia apresentou tempos de reação significativamente maiores, independentemente das condições experimentais, sugerindo maior custo cognitivo no processamento lexical. No entanto, não foi observado efeito de priming morfológico estatisticamente significativo em nenhum dos grupos. Esses achados apontam que, embora a morfologia derivacional possa representar uma via potencial de apoio à leitura, seu efeito facilitador não foi comprovado neste estudo. Esta pesquisa contribui para a compreensão dos mecanismos linguísticos envolvidos na leitura de crianças com dificuldades, especialmente em contextos de língua com morfologia rica como o português brasileiro.
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