Narradores e seus leitores em Memorial do Convento e A Viagem do Elefante

Palavras-chave: Narrador, Metaficção Historiográfica, Literatura Comparada

Resumo

Neste artigo, faz-se a análise dos narradores de Memorial do Convento e A Viagem do Elefante, de José Saramago, por meio da comparação entre os métodos narrativos que aproximam leitor e narradores. Em comum, há a recorrência a recursos estilísticos, como a metalinguagem e as marcas da oralidade, que buscam estabelecer uma comunicação com o leitor. No entanto, em Memorial do Convento, encontra-se um escritor de fôlego, cujas estratégias exigem repertório e releitura. Em A Viagem do Elefante, a linguagem é menos sofisticada e as reflexões do narrador vão além da consciência crítica, pois ele explica os fatos e correlaciona-os, a fim de ampliar o alcance de sua mensagem. Para a realização das análises, utiliza-se amparo crítico de Hutcheon (1991), Adorno (2008), Bakhtin (2010), Benjamin (2010), Genette (1979) e Friedman (2002), assim como de parte da fortuna crítica dedicada às metaficções historiográficas de Saramago, principalmente Cerdeira (2018), Raoni (2002) e Cruz (2013).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Valéria Hernandorena Monteagudo de Campos, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil.

Mestranda em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, SP, Brasil. Professora na Faculdade SESI-SP de Educação (FASESP), em São Paulo, SP, Brasil.

Referências

ABDALA JUNIOR, Benjamin. Literatura, história e política: literaturas de língua portuguesa no século XX. 2. ed. Cotia: Ateliê Editorial, 2007.

ADORNO, Theodor W. Posição do narrador no romance contemporâneo. In: ADORNO, Theodor W. Notas de literatura I. Tradução de Jorge de Almeida. São Paulo: Ed. 34, 2008.

AGUILERA, Fernando Gómez. A Consistência dos Sonhos. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2008. Folheto não paginado.

BAKHTIN, Mikhail. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, 1999.

BAKHTIN, Mikhail. A pessoa que fala no romance. In: BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Tradução de Aurora Fornoni et al. 6. ed. São Paulo: Unesp, 2010.

BENJAMIN, Walter. O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: Magia e técnica, arte e política. Tradução de Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 2010.

BOOTH, Wayne. A retórica da ficção. Tradução de Maria Teresa H. Guerreiro. Lisboa: Arcádia, 1980.

CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000162.pdf. Acesso em: 6 jun. 2022.

CERDEIRA, Teresa Cristina. José Saramago entre a história e a ficção: uma saga de portugueses. Belo Horizonte: Editora Moinhos, 2018.

CRUZ, Maria Aparecida. Barros de Oliveira. Figura autoral e narrador performático: uma leitura de A Viagem do Elefante. Goiânia: UFG, 2013.

FRIEDMAN, Norman. O ponto de vista na ficção: o desenvolvimento de um conceito crítico. Tradução de Fábio Fonseca de Melo. Revista USP, São Paulo, n. 53, p. 172, mar./maio 2002.

GENNETTE, Gérard. Discurso da narrativa. Tradução de Maria Alzira Seixo. Lisboa: Vega, 1979.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

HUTCHEON, Linda. Poética do pós-modernismo. Tradução de Ricardo Cruz. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1991.

LAUSBERG, Heinrich. Elementos de retórica literária. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.

MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. São Paulo: Cultrix, 2008.

RAONI, Gerson. No limiar do texto: literatura e história em José Saramago. São Paulo: Annablume, 2002.

SARAMAGO, José. A Viagem do Elefante. São Paulo: Companhia das Letras, 2008a.

SARAMAGO, José. A vida depois do Nobel. [Entrevista concedida a] Almir de Freitas. Bravo!, São Paulo, nov. 2008b. Disponível em: http://benfazeja.blogspot.com/2011/04/vida-depois-do-nobel-entrevista-de.html. Acesso em: 15 dez. 2021.

SARAMAGO, José. Caim. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

SARAMAGO, José. José Saramago: “É como se houvesse dentro de mim uma parte intocada. Ali não entra nada”. [Entrevista concedida a] Anabela mota Ribeiro. Ípsilon, Lisboa, 7 nov. 2008c. Disponível em: https://www.publico.pt/2008/12/05/culturaipsilon/noticia/jose-saramago-quote-como-se-houvesse-dentro-de-mim-uma-parte-intocada-ali-nao-entra-nadaquot-217971. Acesso em: 15 dez. 2021.

SARAMAGO, José. Memorial do Convento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

SARAMAGO, José. O artesão inquieto da língua portuguesa. [Entrevista concedida a] Vitor Casimiro. Educacional, São Paulo, 2006. Disponível em: http://www.educacional.net/entrevistas/entrevista0047b.asp Acesso em: 15 dez. 2021.

SARAMAGO, José. O Memorial do Convento, de José Saramago: Apontamentos. [Depoimento concedido a] Mário Ventura. Portugal, 1986. Disponível em: https://www.forma-te.com/mediateca/download.../5791-2679248.html. Acesso em: 14 mar. 2021.

SARAMAGO, José. Saramago admite que escrever seu novo livro não foi nada fácil. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 nov. 2008d. Disponível em: http://feiticeirotamboril.blogspot.com/2008/11/saiu-o-novo-livro-do-jose-saramago.html. Acesso em: 6 jun. 2022.

SOARES, Marcelo Pacheco. “Também se aprende com o Diabo” – análise do personagem Pastor em O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago/“Also Learned from the Devil” – analysis of the character Pastor in The Gospel according to Jesus Christ, by José Saramago. Guavira Letras, Três Lagoas, v. 15, n. 29, 2019.

Publicado
2022-07-11
Como Citar
Campos, V. H. M. de. (2022). Narradores e seus leitores em Memorial do Convento e A Viagem do Elefante. Navegações, 15(1), e42476. https://doi.org/10.15448/1983-4276.2022.1.42476