A metodologia do entre, o educador e a assessoria na prevenção do autismo

Palavras-chave: metodologia entre, psicanálise, educação infantil, assessoria, autismo

Resumo

O artigo trata da importância da metodologia do entre, de Homi Bhabha (1998) utilizada em uma pesquisa de mestrado. O objetivo visa refletir sobre os efeitos da intervenção transdisciplinar na prevenção do autismo, a partir da experiência de educadores e de assessoria em educação precoce no campo da educação infantil. Para tanto, utiliza os resultados de uma pesquisa realizada com duas crianças, dos zero aos três anos de idade e seus educadores, que foi constituída por quatro tempos: o tempo de criação do trabalho de assessoria EP/PI/SMED, a detecção dos sinais de autismo nos bebês, a avaliação psicanalítica dessas crianças aos três anos de idade e a escrita da pesquisa. Os resultados indicam que houve mudanças na posição discursiva dos educadores, produzindo efeitos não apenas educativos, mas estruturantes e terapêuticos, possibilitando a saída do risco de autismo e a retomada dos processos psíquicos constitutivos nas duas crianças.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Doisnei Jornada da rosa, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.

Psicóloga, psicanalista, terapeuta em estimulação precoce e assessora de inclusão da Clínica Em Tempo/POA; mestre em Psicanálise no PPG/Psicanálise: Clínica e Cultura na Universidade federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil.

Andrea Gabriela Ferrari, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil

Professora do PPG Psicanálise: Clínica e Cultura e do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil.

Referências

Bhabha, H. K. (1998). O Local da Cultura. (M. Ávila, E. L. L. Reis, G. Renate, & E. Gonçalves, Trad.; 2a. ed.). Belo Horizonte: Editora da UFMG.

Benjamin, W. (1994). Experiência e Pobreza. In W. Benjamin. Magia, Técnica, arte e política: Obras escolhidas. (S. P. Rouanet, Trad.). São Paulo: Imago. Originalmente publicado em 1933.

Bernardino, L. M. F. (2014). A creche, o professor e o desejo. In 10º Colóquio Internacional do LEPSI. Anais. São Paulo.

Coriat, L., & Jerusalinsky, A. (1996). Aspectos estruturais e instrumentais do desenvolvimento. Escritos da Criança, nº 4. Porto Alegre: Centro Lydia Coriat.

Diniz, Margareth. (2017). A que visa a escolha de um dispositivo metodológico? In M. Pereira (Org.). Os sintomas na educação de hoje: que fazemos com ‘isso’? Belo Horizonte: Scriptum.

Freud, Sigmund. (2010a). Além do princípio do prazer. In Freud, S. Obras completas volume 14: História de uma neurose infantil; (“O homem dos lobos”); Além do princípio do prazer e 149 outros textos (1917-1920). (P. C. Souza, Trad.). São Paulo: Companhia das Letras. Trabalho originalmente publicado em 1920.

Freud, S. (2010b). Novas conferências introdutórias à psicanálise. In Freud, Sigmund. Obras completas volume 18: o mal-estar na civilização, novas conferências introdutórias à psicanálise e outros textos (1930-1936). (P. C. Souza, Trad.). São Paulo, SP: Companhia das Letras. Trabalho originalmente publicado em 1932-1933.

Gurski, R. (2016). Formação de professores e transmissão da experiência: Narrar, poetar, profanar. In C. Vasques, & S. Moschen. (Orgs.). Psicanálise, educação especial e formação de professores: construções em rasuras. Porto Alegre: Evangraf.

Jerusalinsky, A. (1999). Psicanálise e desenvolvimento infantil. (D. Lichtenstein et al, Trad). Porto Alegre: Artes e Ofícios.

Jerusalinsky, A. (2008). Considerações acerca da Avaliação Psicanalítica de Crianças de Três anos – AP3. In R. Lerner, & M. C. M. Kupfer (Orgs.). Psicanálise com crianças: clínica e pesquisa. São Paulo, SP: Escuta.

Kupfer, M. C. M., Jerusalinsky, A., Infante, D. P., & Bernardino, L. M. F. (2008). Roteiro para a Avaliação Psicanalítica de Três anos - AP3. In R. Lerner, &, M. C. M. Kupfer (Orgs.). Psicanálise com crianças: clínica e pesquisa. São Paulo, SP: Escuta.

Kupfer, M. C. M., Bernardino, L. M, F., & Mariotto, R. M. M. (Orgs.). (2014). Do bebê a sujeito: a metodologia IRDI nas creches. São Paulo: Escuta/Fapesp.

Kupfer, M. C. Ma., Costa, B. H. R., Césaris, D. M. D., & Cardoso, F. F. (2010, Dezembro). A produção brasileira no campo das articulações entre psicanálise e educação a partir de 1980. Estilos da Clínica, 15(2), p. 284-305. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v15i2p284-305

Lacan, J. (1992). O seminário, Livro XVII: O avesso da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar. Originalmente publicado em 1969-1970.

Meira, A. M. G. (2001). Contribuições da Psicanálise para a educação inclusiva. Escritos da Criança: nº 6. Porto Alegre: Centro Lydia Coriat.

Quinet, A. (2015). Édipo ao pé da letra: Fragmentos da tragédia e psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar.

Rosa, D. (2011). O infantil na Psicanálise. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, 1(40), p.104-108.

Schäffer, M. (1999, Janeiro/Junho). Resenha Crítica “Entre lugares da cultura: diversidade ou diferença?” Educação e Realidade. Porto Alegre/UFRGS, 24(1), p. 161-167.

Wanderley, D. (2013). Aventuras psicanalíticas com crianças autistas e seus pais. Salvador: Ágalma.

Publicado
2020-12-31
Como Citar
da rosa, D. J., & Ferrari, A. G. (2020). A metodologia do entre, o educador e a assessoria na prevenção do autismo. Educação, 43(3), e32459. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2020.3.32459
Seção
Outros Temas