Dossiê Arte e Revolução:

De que Cor são os Cravos Vermelhos de Abril?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-864X.2026.1.49656

Palavras-chave:

Arte e revolução, 25 de Abril de 1974, Revolução dos Cravos, Processo Revolucionário em Curso (PREC), Cultura, Política, Memória

Resumo

A comemoração do cinquentenário da Revolução dos Cravos, celebrado em 2024, foi marcada por uma série de iniciativas promovidas pelos setores científico, artístico e político que chamaram a comunidade a refletir sobre a importância histórica da data. Nesse contexto, ainda a tempo de contribuir com os debates que foram suscitados em Portugal, na França, no Brasil e em alguns países africanos de língua oficial portuguesa, organizamos o dossiê intitulado Arte e Revolução: De que Cor são os Cravos Vermelhos de Abril? Este pretende reunir contribuições que analisem os testemunhos que a música, o teatro, a literatura, o cinema, a performance, entre outras formas de manifestação artística, deixaram na história sobre esse específico e complexo período que, em Portugal, é inaugurado pela Revolução dos Cravos, e que se estende até meados de 1976, no chamado “Processo Revolucionário em Curso”. Considerando que, a partir da Revolução dos Cravos, entre a alegria do presente, a esperança do amanhã e o remorso do passado, os artistas portugueses precisaram aprender a lidar com a liberdade recém conquistada, percebendo que, nesse contexto, as temáticas a ganharem voz através da arte eram outras, queremos abordar questões como: o que se altera na relação que até então existia entre as artes e a política? De que modo as diferentes formas de manifestação artística existentes em Portugal abordaram as novas temáticas que estavam agora no centro da esfera política portuguesa? Como a arte e os artistas refletiram/reagiram à própria ideia de revolução em curso? Que ecos artísticos Abril desencadeou na esfera internacional? E, ainda, como os artistas dos novos países em África (Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), até então submetidos ao colonialismo, terão equacionado as premissas da luta, libertação, revolução e independência? 

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Biografia do Autor

Andrelise G. Santorum, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL/UL), Lisboa, Portugal.

É encenadora, dramaturga e historiadora. É doutora em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS/2023), tendo realizando o seu doutoramento sanduíche (CAPES-PrInt) no Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes (DHEEAA  da Universidade de Coimbra, em Portugal. Sua tese de doutorado defendida em 2023 é intitulada Palcos do Império: Teatro Português em Angola durante o Estado Novo (1930-1950). A partir das referências da História Global, e mais precisamente da História Global do Teatro, aborda questões relacionadas aos possíveis usos do teatro como instrumento recorrente da estrutura política autoritária, em uma perspectiva essencialmente transnacional. Atualmente é Investigadora no Centro de Estudos de Teatro (CET) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL/UL), e desenvolve a pesquisa intitulada Portuguese theater on overseas stages: networks between Portugal, Angola, Mozambique, São Tomé and Príncipe, Guinea Bissau and Cabo Verde (1933-1974), projeto (2023.06872.CEECIND/CP2891/CT0025) financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), DOI https://doi.org/10.54499/2023.06872.CEECIND/CP2891/CT0025.

Sérgio Neto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP/CITCEM), Porto, Portugal.

Professor auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal) e Investigador do Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memória”. A sua investigação tem girado em torno de três temas: o colonialismo português, com destaque para o arquipélago de Cabo Verde; a história política e cultural da Primeira República Portuguesa e da Primeira Guerra Mundial; e o ensino da História, através da análise sistemática de programas e manuais escolares do ensino básico e secundário. É autor e editor de vários livros, entre os quais Revolution and (Post)War, 1917-1922. Spring and Autumn in Europe and in the World (2024) na Routledge, e artigos como “Faith, Redemption and Saudade. Civil religion and the sacred in Portuguese Theatre on the First World War” (2021), na First World War Studies. Recentemente foi cocurador da exposição “Ditadura, Revolução, Democracia” sobre o 25 de Abril.

Marçal de Menezes Paredes, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

Professor dos cursos de Relações Internacionais e de História e dos Programas de Pós-Graduação em História e Sociologia e Política da PUCRS. Pesquisador do CNPq e Coordenador do Laboratório de História das Sociedades Ibéricas e Americanas e Contexto Global vinculado ao PPGH/PUCRS. Foi Visiting Professor no Departamento de História da York University (Toronto, Canadá) entre 2019-2020 e em 2023-2024. É Doutor em História pela Universidade de Coimbra, Portugal (2007). É membro do comitê editorial da coleção Lusophone African World da TAGUS Press, University of Massachussets. É membro do Executive Board da Lusophone Studies Association (York University, Canadá). Pesquisador Associado ao Centro de Estudos do Século 20 (CEIS20) da Universidade de Coimbra e do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, ambos de Portugal.

Referências

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LUÍS, Rita. A revolução a que se pode ir de carro. Portugal, Espanha e os media (1974-1975). Lisboa: Edições do ICS, 2024.

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TRAVERSO, Enzo. Revolution. An Intellectual History. Brooklyn: Verso, 2021.

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Publicado

2026-08-28

Como Citar

G. Santorum, A., Neto, S., & de Menezes Paredes, M. (2026). Dossiê Arte e Revolução: : De que Cor são os Cravos Vermelhos de Abril?. Estudos Ibero-Americanos, 52(1), e49656. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2026.1.49656

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