Trazer para a frente a Revolução de Abril de 1974:
Crónicas autobiográficas meio século depois
DOI:
https://doi.org/10.15448/1980-864X.2026.1.48417Palavras-chave:
Revolução dos Cravos, memória autobiográfica, pós-memóra, Memória coletiva, CrônicaResumo
Este artigo examina um corpus de crónicas jornalísticas autobiográficas, escritas por autores nascidos após 1970 e publicadas na imprensa periódica em 2024, o ano do cinquentenário da Revolução de Abril, com o objetivo de analisar a memória atual da Revolução Portuguesa. As crónicas, pela sua brevidade e caráter interpretativo, destacam o cotidiano enquanto negociam a tensão entre a memória individual e coletiva daquele momento histórico. A maioria dos autores se posiciona como herdeira da Revolução, mobilizando quadros de memória autobiográfica e coletiva para interpretar as crises contemporâneas. Esse legado foi moldado pelas políticas de memória das décadas subsequentes que procuraram fixar o consenso pactuado de uma democracia liberal e apagar a energia tensa do período revolucionário. Poucas crónicas examinam o impacto e a eficácia da transmissão da memória, processo que pode ser mais bem compreendido à luz do conceito de pós-memória.
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