Afetos sobre a avaliação da aprendizagem:
contradições na migração do ensino presencial para o virtual
DOI:
https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.47914Palavras-chave:
Afeto, Avaliação da aprendizagem, Ensino remotoResumo
Neste artigo, discute-se a constituição de uma concepção de avaliação da aprendizagem baseada na lógica meritocrática e as possibilidades de sua superação, a partir de um estudo realizado sobre o ensino remoto durante a pandemia de covid-19. O objetivo é analisar os afetos produzidos por um professor do ensino superior a respeito da avaliação da aprendizagem dos alunos e a necessidade de mudanças durante o ensino remoto on-line para apreender suas mediações. A pesquisa fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, no enfoque histórico-cultural e na teoria espinosana. Analisa manifestações de linguagem do professor participante, por meio do sistema semântico, a fim de desvelar determinações históricas e sociais. Os dados foram produzidos em um estudo de doutorado, a partir de entrevistas com um grupo focal. Os resultados confirmam que a dimensão afetiva é intrínseca à atividade pedagógica, formando amálgama com a dimensão cognitiva. O caso analisado evidencia a permanência da pedagogia do exame, sustentada por concepções tradicionais de avaliação. Os dados revelam a predominância de práticas avaliativas centradas em provas e métricas, bem como as dificuldades enfrentadas para superá-las. A necessidade de mudança gerou tensões e incertezas, evidenciando o conflito entre a concepção de avaliação do professor e a indicada pela instituição, que gerou desconfiança quanto a sua efetividade. Revela-se que as vivências formativas e as experiências profissionais contribuem para colocar as concepções em movimento. O diálogo sobre a avaliação emerge como uma possibilidade para reflexão sobre esse processo, tornando-se um recurso que, aliado a outros, contribui para a qualificação de concepções de avaliação da aprendizagem.
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