Desnaturalização da norma hegemônica de família na Educação Infantil

entre memórias e documentos (1976-2018)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.46837

Palavras-chave:

educação infantil, famílias, documentos curriculares, memórias

Resumo

O presente artigo traz dados de uma investigação de mestrado que teve como objetivo analisar o lugar das famílias nas Orientações Educacionais da Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis, no período de 1976 a 2018. Para a organização e a análise dos documentos eleitos recorreu-se à técnica da análise de conteúdo e a uma perspectiva interpretativa, a partir de memórias pessoais de infância que foram transformadas em objeto de análise histórico-social, procurando enfatizar o quadro político da memória. A tônica da análise apresentada no artigo recai sobre a problematização das relações com as famílias, que é a própria noção de família(s). Durante o processo de análise dos documentos foi possível perceber que, ao longo do tempo, a noção de família(s), construída e naturalizada com status de família “normal”, avança de uma perspectiva homogeneizadora e comparativa para uma plural e inclusiva, que recusa referências e hierarquias etnocêntricas.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Patrícia Machado de Souza , Prefeitura Municipal de Florianópolis, Florianópolis, SC, Brasil.

Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialização em Pedagogia Gestora: Administração, Supervisão, Orientação, pela Faculdade Dom Bosco. Atuou como assessora pedagógica da Diretoria de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Florianópolis e na direção de duas unidades de Educação Infantil da referida rede. Atualmente é professora de Educação Infantil na Rede Municipal de Ensino de Florianópolis.

Diana Carvalho de Carvalho, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

Doutora em Educação: História, Política e Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui pós-doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Paulo. Professora titular da Universidade Federal de Santa Catarina.

Márcia Buss-Simão, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil.

Professora na Universidade Federal de Santa Catarina. Doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal de Santa Catarina. Realizou parte de seu doutoramento na Goethe Universität de Frankfurt am Main na Alemanha, com bolsa DAAD. Realizou estágio pós-doutoral na Universidade Federal de Santa Catarina, com bolsa REUNI.

Referências

Abbagnano, N. (2007). Dicionário de filosofia (A. Bossi, Coord.; I. C. Benedetti Rev. trad., 5a ed.). Martins Fontes.

Benjamin, W. (2022). Infância berlinense: 1900. In W. Benjamin, Rua de mão única (pp. 69-115). Autêntica.

Bourdieu, P. (1996). Razões práticas: sobre a teoria da ação. Papirus.

Campos, A. R. (2011). Problematizando a família sob novas lógicas de constituição e interação. Revista Pedagógica, 14(26), 11-27. https://doi.org/10.22196/rp.v13i26.1266

Campos, M. M., & Rosemberg, F. (1995. Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças. MEC, SEF, COEDI.

Dias, M. B. (2007). A ética na jurisdição de família. Revista Brasileira de Direito Constitucional, 9, 107-116. https://www.esdc.com.br/RBDC/RBDC-09/RBDC-09-107-Maria_Berenice_Dias.pdf

Didi-Huberman, G. (1992). O que vemos, o que nos olha. Ed. 34.

Florianópolis. (1976). Programa Educação Pré-Escolar no Município de Florianópolis: Projeto Núcleos de Educação Infantil. Secretaria de Educação, Saúde e Assistência Social.

Florianópolis. (1981). Currículo Pré-Escolar. Secretaria de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social.

Florianópolis. (1982). Apostila. Secretaria de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social.

Florianópolis. (1988). Programa de Pré-Escolar. Secretaria Municipal de Educação.

Florianópolis. (1996). Traduzindo em Ações – das Diretrizes a uma Proposta Curricular. Secretaria Municipal de Educação.

Florianópolis. (2000). Subsídios para a Reorganização Didática da Educação Básica Municipal. Secretaria Municipal de Educação.

Florianópolis. (2010). Diretrizes Educacionais Pedagógicas para a Educação Infantil. Secretaria Municipal de Educação.

Florianópolis. (2012). Orientações curriculares para a educação infantil da rede municipal de Florianópolis. Secretaria Municipal de Educação.

Florianópolis. (2015). Currículo da Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis. Secretaria Municipal de Educação.

Florianópolis. (2018). Secretaria Municipal de Educação. Orientações para o processo de inserção das crianças na educação infantil. https://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/11_02_2019_14.18.40.72ca5405f48d27920ab6eb76d811a658.pdf

Fonseca, C. (2002a). Mãe é uma só? Reflexões em torno de alguns casos brasileiros. Psicologia USP, 13(2), 49-68. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/129341

Fonseca, C. (2002b). Olhares antropológicos sobre a família contemporânea: Da família ao parentesco em sociedades complexas. Participação na mesa-redonda “O lugar da família na ciência contemporânea: desafios e tendências na pesquisa”. Congresso Internacional Pesquisando a Família, Florianópolis 24-26 de abril, 2002. In C. R. Althoff, I. Elsen, & R. G. Nitschke (Orgs.), Pesquisando a família: olhares contemporâneos. Papa-livro.

Fonseca, C. (2005). Concepções de família e práticas de intervenção: Uma contribuição antropológica. Saúde e Sociedade, 14(2), 50-59. https://www.scielo.br/j/sausoc/a/WGpvJkq4tm4wmZJbGcMkHGg/abstract/?lang=pt

Franco, M. L. P. B. (2003). Análise de conteúdo. Plano.

Kramer, S. (1982). Privação cultural e Educação Compensatória: uma análise crítica. Cadernos de Pesquisa, 42, 54-62. https://publicacoes.fcc.org.br/cp/article/view/1550/1549

Machado, M. L. A. (1996). Propostas pedagógicas e currículo em educação infantil: um diagnóstico e a construção de uma metodologia de análise. MEC/SEF/COEDI.

Marques, A. M. (2009). Berlim revisitada ou a cidade da memória: “Infância em Berlim por volta de 1900”. Artefilosofia, 6, 34-43. https://periodicos.ufop.br/raf/article/view/693

Matias, A. G. T., Barone, M. A., & Rodrigues, A. (2021). Fazendo ruir o dispositivo da maternidade e (re)inventando maternagens possíveis: Narrativas infames e potentes. Revista Internacional Interdisciplinar INTERthesis, 18, 1-18. https://doi.org/10.5007/1807-1384.2021.e7603

Minayo, M. C. S. (2010). O desafio do conhecimento: Pesquisa qualitativa em saúde. Hucitec.

Ministério da Educação e Cultura. (1975). Diagnóstico preliminar da educação pré-escolar no Brasil. Departamento de Ensino Fundamental. Coordenadoria de Educação Pré-Escolar.

Ministério da Educação e Cultura. (1977). Atendimento ao pré-escolar. Departamento de Ensino Fundamental. Coordenadoria de Educação Pré-Escolar.

Ministério da Educação. (1999). Resolução CEB n. 1. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. https://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=159281-rceb001-99-1&category_slug=outubro-2020-pdf&Itemid=30192

Ministério da Educação. (2009). Resolução n. 5, de 17 de dezembro de 2009. Fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=3749-resolucao-dcnei-dez-2009&category_slug=fevereiro-2010-pdf&Itemid=30192.

Miranda, F. C. (2013). Cartografia movente: Uma postura de pesquisa em comunicação na Amazônia [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Pará]. http://repositorio.ufpa.br/jspui/bitstream/2011/5497/1/Dissertacao_CartografiaMoventePostura.pdf

Narvaz, M. G., & Koller, S. H. (2006). Famílias e patriarcado: Da prescrição normativa à subversão criativa. Psicologia & Sociedade, 18(1), 49-55. https://www.scielo.br/j/psoc/a/VwnvSnb886frZVkPBDpL4Xn/abstract/?lang=pt

Ostetto, L. E. (2000). Educação Infantil em Florianópolis: Retratos Históricos da Rede Municipal (1976-1996). Cidade Futura.

Rocha, E. A. C. (2000). Apresentação. In E. L. Ostetto (Org.), Educação Infantil em Florianópolis: Retratos Históricos da Rede Municipal (1976-1996). Cidade Futura.

Sarti, C. A. (2004). A família como ordem simbólica. Psicologia USP, 15(3), 11-28. https://www.scielo.br/j/pusp/a/N8jxmySj8PqRZp6ZnJz7Cwd/?lang=pt

Sarti, C. A. (2010). Famílias enredadas. In A. R. Acosta, & M. A. F. Vitale (Orgs.), Família, redes, laços e políticas públicas (pp. 21-36). Cortez.

Sawaia, B. B. (2010). Família e afetividade: a configuração de uma práxis ético-política, perigos e oportunidades. In M. A. F. Vitale, & A. R. Acosta (Org.), Família: redes, laços e políticas públicas (5ª ed., pp. 39-50). Cortez.

Silva, G. F., & Resende, T. F. (2016). A relação família-escola na legislação educacional brasileira (1988-2014). Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, 24(90), 30-58. https://www.scielo.br/j/ensaio/a/Qnq7zmpsLtH9mk3cwhJnKyz/abstract/?lang=pt

Steininger, I. J. (2009). A prática pedagógica nas instituições de educação infantil: Um estudo de caso sobre o que indicam as professoras [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina]. https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/93193/270038.pdf?isAllowed=y&sequence=1

Vieira, A. C. (2021). Uma cartografia afectiva: Pistas sobre bebês em documentos afetos de instituições de acolhimento [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina]. https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/231045

Downloads

Publicado

2025-12-18

Como Citar

Souza , P. M. de, Carvalho, D. C. de, & Buss-Simão, M. (2025). Desnaturalização da norma hegemônica de família na Educação Infantil: entre memórias e documentos (1976-2018). Educação, 48(1), e46837. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.46837