A ênfase do capital humano nas políticas educacionais inclusivas para o sujeito com altas habilidades ou superdotação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.46003

Palavras-chave:

Políticas educacionais, Capital humano, Altas habilidades ou superdotação

Resumo

As políticas educacionais inclusivas emergem especialmente na década de 1990, em virtude da ascensão neoliberal, de modo que essa racionalidade política passa a governar os corpos através de estratégias biopolíticas. O presente estudo tem como escopo problematizar como as políticas educacionais têm orientado o atendimento à pessoa com altas habilidades ou superdotação no Brasil. Trata-se de um estudo que segue uma abordagem epistemológica pós-crítica, de cunho qualitativo e documental. As discussões realizadas ao longo do estudo amparam-se nos estudos Foucaultianos em Educação, pinçando a biopolítica como conceito ferramenta para a análise. O corpus documental selecionado para a pesquisa evidencia estratégias biopolíticas de investimento sobre os corpos superdotados, e entre as práticas de fomento que aparecem com maior ênfase para o capital humano desses sujeitos, estão: a) aceleração e enriquecimento; e b) atendimento educacional especializado. Com base nas análises empreendidas foi possível aferir que as políticas educacionais que versam sobre altas habilidades ou superdotação buscam potencializar habilidades vinculadas às inteligências cognitivas, isso porque a governamentalidade neoliberal busca, por meio desses sujeitos, a criação de produtos e a resolução de problemas de ordem econômica, ao tempo que o sujeito superdotado contribui para a manutenção e o funcionamento das engrenagens das esferas econômica e geopolítica.

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Biografia do Autor

Bruna Mendonça, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Chapecó, Santa Catarina, Brasil.

Mestre em Educação pela Universidade Federal da Fronteira Sul. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Santa Maria. Especialista em Orientação Educacional (UNINTER). Especialista em assuntos educacionais na rede estadual de ensino na cidade de Chapecó. Integra o Grupo de Pesquisa em Políticas e Práticas de Inclusão (GPPPIn/UFFS/CNPq).

Patrícia Gräff, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Chapecó, Santa Catarina, Brasil.

Doutora em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Mestre em Educação nas Ciências pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Especialista em Gestão Educacional e Graduada em Educação Especial – licenciatura plena e Pedagogia licenciatura plena, pela Universidade Federal de Santa Maria. Líder do Grupo de Pesquisa em Políticas e Práticas de Inclusão (GPPPIn/UFFS/CNPq). Integra a Rede de Investigação em Inclusão, Aprendizagem e Tecnologias Educacionais (RIIATE). Docente na graduação e no Programa de PósGraduação em Educação, na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Chapecó/SC.

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Publicado

2025-11-10

Como Citar

Mendonça, B., & Gräff, P. (2025). A ênfase do capital humano nas políticas educacionais inclusivas para o sujeito com altas habilidades ou superdotação. Educação, 48(1), e46003. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2025.1.46003