Evidências a favor da reciclagem neuronal para a alfabetização

Leonor Scliar-Cabral

Resumo


Neste artigo me proponho defender a necessidade da reciclagem neuronal para a alfabetização, baseada nas evidências empíricas fornecidas pela neurociência. Elas demonstram que: 1º existe universalmente uma região no sistema nervoso central que se especializa para o
reconhecimento da palavra escrita, a região occípito-temporal ventral esquerda; 2º os neurônios dessa região não são biopsicologicamente programados para o reconhecimento da palavra escrita; 3º tal reconhecimento se torna possível através da aprendizagem, ou seja, nos humanos,
os neurônios, graças à plasticidade neuronal, à especialização das regiões secundárias e terciárias e às interconexões entre as várias regiões da linguagem e da cognição, aprendem a reconhecer a articulação de traços gráficos invariantes (exemplificaremos com os sistemas alfabéticos) de
que resultam uma ou duas letras(grafemas) para representar fonemas, ambos com a função de distinguir significados. O artigo conclui com os dados paleográficos que evidenciam o papel da metonímia como estruturante de como os sistemas escritos foram sendo inventados, adequandoos,
gradativamente, aos limites de processamento do cérebro humano.

Palavras-chave


Reciclagem neuronal; Alfabetização

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e-ISSN: 1984-7726 | ISSN-L: 0101-3335


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