Epistemologia da religião
sobre a racionalidade e a derrotabilidade da crença religiosa
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-6746.2026.1.50223Palavras-chave:
Epistemologia da Religião, Racionalidade, Derrotabilidade, Crença Religiosa, DerrotadoresResumo
Este artigo investiga sob quais condições a crença religiosa pode ser considerada racional, à luz de debates contemporâneos em epistemologia. Partindo da distinção entre crença e conhecimento, o trabalho examina o papel da justificação epistêmica como elemento que confere estabilidade e valor cognitivo às crenças, evitando que sua verdade seja meramente fruto de sorte ou acaso. Em seguida, analisa-se a noção de racionalidade epistêmica, com destaque para o debate entre internismo e externismo, bem como suas implicações para a avaliação da crença religiosa, ilustradas pelas propostas evidencialistas e externistas de Richard Swinburne e Alvin Plantinga, respectivamente. Introduz-se, então, a noção de derrotabilidade epistêmica, enfatizando que a racionalidade de uma crença não depende apenas de seus justificadores, mas também de sua resistência a possíveis derrotadores. São analisados alguns dos principais desafios à crença religiosa — como o problema do mal, o ocultamento divino e as críticas naturalistas — e discutidas possíveis respostas a eles. Argumenta-se que a presença de tais derrotadores não implica automaticamente a irracionalidade da crença religiosa, uma vez que estes podem ser neutralizados por contra-argumentos adequados (isto é, derrotadores dos derrotadores). Conclui-se que a racionalidade da crença religiosa deve ser compreendida de modo mais abrangente, como dependente tanto das condições de sua formação quanto de sua capacidade de resistir a derrotadores.
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