Oposição de forças
as assimetrias contextuais entre violência (βία) e influência (ἰσχύς) no poema de Parmênides
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-6746.2026.1.48622Palavras-chave:
força, violência, influência, discernimento, ética, ParmênidesResumo
No verso B 7,3, a deusa do poema de Parmênides faz votos para que o hábito multiexperiente não force (biásthō) o jovem mortal a uma via que não existe. Por outro lado, ao indicar em B 8,12 que a fé está vinculada à força (iskhýs), o filósofo emprega outro termo para exprimir uma ideia similar. Quais são os sentidos que estes vocábulos podem assumir diante do fato de Parmênides optar por adotá-los de formas distintas ao se referir à força? A presente exposição visa à argumentação de que tais preferências não são aleatórias, mas dependem do contexto no qual estão imbuídas. Com efeito, enquanto na primeira ocasião é possível identificar um apelo à força bruta como forma de violência, na segunda oportunidade na qual a noção de “força” se revela Parmênides utiliza o termo “iskhýs”, que se coaduna mais com propriedades como “poder”, “validade” ou “dever”. Em ambos os cenários, o jovem iniciado constitui um agente de ações que é impactado pela força diferentemente.
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