As paixões segundo Agostinho
uma leitura pneumatológico-trinitária (comentário a "Confissões" XIII, VII, 8)
DOI:
https://doi.org/10.15448/0103-314X.2026.1.46508Palavras-chave:
Agostinho, Confissões, teoria das paixões, teologia trinitária, doutrina da criaçãoResumo
Concentrando-se em textos de Confissões XIII, este trabalho pretende aprofundar por remissões a excertos outros cada uma de três intuições que o parágrafo VII, 8 importa de Gênesis 1,1-2 – primeiro, a imagem de um “fundo” da criação, de que esta se formou e ao qual tende a voltar, mantendo a ela latente o caos; em seguida, a descontinuidade entre Criador, eterno, e criatura, efêmera; e por fim, a possibilidade e a expectativa de uma irrupção daquilo que consuma e eleva a vontade: o (verdadeiro) amor. Apoiado no arcabouço trinitário – e destacadamente pneumatológico – do Livro XIII (cf. Brachtendorf, 2008, p. 301), o trajeto como que miniaturiza o atributo central de cada Pessoa da Divindade cristã: a unidade abissal, a inteligibilidade diferenciadora e o dinamismo reunificador. Mapeado teoreticamente, o itinerário vai da teoria das paixões a uma metafísica do amor, recolhendo respectivamente elementos de uma “psicologia profunda” e de uma teologia da intervenção divina – a primeira e a terceira seções ocupando, por isso, maior espaço. No percurso se visitarão, com brevidade, passagens de outros escritos (O livre-arbítrio, A cidade de Deus, 83 questões diversas, De Trinitate) e de outros autores (Platão, Cícero, Plotino, Lactâncio); e, interagindo em particular com os comentários de H. Arendt e J. Brachtendorf, atentaremos a como e com quais desafios a faculdade da vontade surge e se desenvolve no decorrer desse corpus.
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