Ritos tecnomágicos:

excessos e alterações psicoculturais após o humanismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-3729.2025.1.47762

Palavras-chave:

civilização das imagens, magia, cultura digital.

Resumo

O paradigma da conexão, que marca nossa cultura, em todas as suas variações midiáticas e físicas, naturais e societais, poderia, portanto, remeter a uma forma renovada de participação mágica, graças à qual, após séculos de separação, os humanos estão redescobrindo sua profunda concordância, sua interdependência e até sua estreita dependência do que os cerca. Em meio à violência e à alienação, que lembram os feitiços, as maldições e os encantamentos das lendas populares atemporais, surgem práticas e imaginários tecnomágicos que, ao descentralizar o ser humano em relação ao sistema de objetos, às máquinas, às redes e à biosfera, prenunciam a nova carne que está por vir. Carne eletrônica: formas elementares do pós-humanismo.

 

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Biografia do Autor

Vincenzo Susca, Universidade Paul-Valéry, Montpellier, Hérault, França

Professor de Sociologia do Imaginário e Midialogia na Universidade Paul-Valéry de Montpellier. Membro do laboratório de pesquisa LEIRIS, diretor da série L'imaginaire et le contemporain da editora Liber (Montreal) e professor visitante em várias universidades. Publicou vários livros sobre o imaginário, a mídia e a política, traduzidos para o francês, espanhol, inglês e português, incluindo: À l'ombre de Berlusconi (2006), Transpolitica (2008, com D. de Kerckhove), Gioia Tragica (2010) e Industrie culturelle et vie quotidienne (2021). Foi curador de muitos eventos artísticos e científicos e é autor, com A. Béhar, da peça teatral Angelus Novissimus. No Brasil, publicou Nos limites do imaginário (2007), Pornocultura (2017, com C. Attimonelli), As Afinidades conectivas (2019), Aurora digital (2021, com C. Attimonelli) e Tecnomagia (2024), pela Editora Sulina e Depois da Arte (2025) pela Univille.

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Publicado

2025-09-25

Como Citar

Susca, V. (2025). Ritos tecnomágicos:: excessos e alterações psicoculturais após o humanismo. Revista FAMECOS, 32(1), e47762. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2025.1.47762

Edição

Seção

Cibercultura