Minimalismo musical com ritmo africano
a música no filme Félicité (2017), de Alain Gomis
DOI:
https://doi.org/10.15448/1980-3729.2025.1.47371Palavras-chave:
música, cinema, cinemas africanos, oralidade, FélicitéResumo
Em meio ao uso de música clássica como parte do projeto musical de vários filmes premiados em festivais europeus, há obras fílmicas que, em função do contexto cultural no qual são produzidas, submetem tais composições a novos arranjos e significados na narrativa fílmica. Dentro desse contexto, o presente artigo propõe uma análise do filme Félicité (2017), do cineasta franco-senegalês Alain Gomis, com o objetivo de verificar os efeitos da música a partir da observação dos recursos utilizados pelo cineasta para articular duas vertentes musicais distintas: a música minimalista do compositor estoniano Arvo Pärt e a do grupo congolês Kasai Allstars. Essa mistura de tradições musicais conduz a uma reflexão mais ampla sobre usos da música no cinema. Sua análise contribui para uma compreensão alargada de como a música clássica europeia se configura em diferentes cinematografias e aprofunda investigações sobre a utilização da música em filmes produzidos no contexto africano, especialmente em sua relação com a voz enquanto mediação do corpo com a oralidade.
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