Empreendendo na memória

anacronismo biográfico nas narrativas de vida empresariais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1980-3729.2025.1.46860

Palavras-chave:

anacronismo, biografia, empreendedorismo, neoliberalismo, presentismo

Resumo

: Temos identificado que uma explosão de biografias sobre empresários acompanha uma transformação no próprio status dos empresários em empreendedores na cultura neoliberal contemporânea. Essas biografias propõem certa subjetividade vinculada à forma-empresa, dependendo fundamentalmente de jogos e manipulações de sentidos entre memória e história. Neste artigo, analisamos três biografias de empresários, a partir de cinco livros: Luiza Helena: mulher do Brasil (Bial, 2022), sobre Luiza Trajano, O X da questão (Batista, 2011), sobre Eike Batista, e Barão de Mauá: empresário do Império (Caldeira, 1995) e Barão de Mauá: empreendedor do Império (Barão [...], 2018), sobre a vida de Barão de Mauá, além da coletânea de perfis biográficos Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil (Marcovitch, 2003). O objetivo da análise é refletir sobre como a biografia é um elemento fundamental para pulverizar narrativas de um novo espírito do capitalismo. Concluímos que o anacronismo biográfico é uma forma alegórica estratégica de fazer do passado um exemplo para o presente.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcelo dos Santos Marcelino, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Igor Sacramento, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutor em Comunicação pela UFRJ

Referências

AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo? E outros ensaios. Chapecó: Argo, 2009.

ARFUCH, Leonor. La vida narrada. Villa María: Eduvim, 2018.

ARFUCH, Leonor. O espaço biográfico. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.

BARÃO de Mauá: empreendedor do império. São Paulo: Le Books, 2018.

BARBOSA, Marialva. Comunicação e usos do passado. Logos, Rio de Janeiro, v. 1, n. 22, p. 154-162, 2015. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/logos/article/view/19561. Acesso em: 16 jun. 2025. DOI: https://doi.org/10.12957/logos.2015.19561

BARBOSA, Marialva; RIBEIRO, Ana Paula Goulart (org.). Comunicação e história. Florianópolis: Insular, 2011.

BATISTA, Eike. O X da questão. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.

BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de história. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 222-234.

BIAL, Pedro. Luiza Helena: mulher do Brasil. São Paulo: Gente, 2022.

BLOCH, Marc. Apologie pour l’histoire ou Métier d’historien. Paris: Armand Colin, 1993.

BOLTANSKI, Luc; CHIAPELLO, Ève. O novo espírito do capitalismo. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. In: FERREIRA, Marieta de Moraes; AMADO, Janaina; PORTELLI, Alessandro. Usos & abusos da história oral. Rio de Janeiro: FGV, 2006. p. 183-191.

BURKE, Peter. Triumphs and poverties of anachronism. Scientia Poetica, Berlin, v. 10, p. 291-298, 2006.

CALDEIRA, Jorge. História do Brasil com empreendedores. São Paulo: Mameluco, 2009.

CALDEIRA, Jorge. Mauá: empresário do império. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

CASTRO, Bruno Fernando. Escrita de si, escrita de(os) outros: biografia e vestígios narrativos do passado. In: BARBOSA, Marialva; RIBEIRO, Ana Paula Goulart (org.). Comunicação e história. Florianópolis: Insular, 2011. p. 245-261.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo. São Paulo: Boitempo, 2016.

DRIESSENS, Olivier. A celebritização da sociedade e da cultura: entendendo a dinâmica estrutural da cultura da celebridade. Ciberlegenda, Niterói, n. 31, p. 8-25, 2014. Disponível em: https://periodicos.uff.br/ciberlegenda/article/view/36959. Acesso em: 16 jun. 2025. DOI: https://doi.org/10.22409/c-legenda.v0i31.26307

EHRENBERG, Alain. O culto da performance. Aparecida: Ideias & Letras, 2010.

FARGE, Arlette. O sabor do arquivo. São Paulo: EDUSP, 2022.

FEBVRE, Lucien. Le problème de l'incroyance au XVIe siècle. Paris: Albin Michel, 1968.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade. Rio de Janeiro; São Paulo: Paz e Terra, 2022. v. I.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

HARTOG, François. Regimes de historicidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

LAZZARATO, Maurízio. O governo das desigualdades. São Carlos: EdUFSCar, 2011.

LIRA, Rodrigo Anido. O discurso do empreendedor. Perspectivas Online, Campos dos Goytacazes, v. 1, n. 2, p. 45-61, 2007. Disponível em: https://www.perspectivasonline.com.br/revista_antiga/article/view/252. Acesso em: 21 jun. 2025.

LORAUX, Nicole. Elogio do anacronismo. In: NOVAES, Adauto (org.). Tempo e história. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura: Companhia das Letras, 1992. p. 57-70.

MARCOVITCH, Jacques. Pioneiros & Empreendedores. São Paulo: EDUSP, 2003. v. 1.

NORA, Pierre. Entre história e memória: a problemática dos lugares. Revista Projeto História, São Paulo, v. 10, p. 7-28, 1993. Disponível em: http://repositorio.asces.edu.br/handle/123456789/3153. Acesso em: 16 jun. 2025.

RANCIÈRE, Jacques. O conceito de anacronismo e a verdade do historiador. In: SALOMON, Marlon (org.). História, verdade e tempo. Chapecó: Argos, 2011. p. 21-50.

RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010a. v. I.

RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010b. v. III.

SACRAMENTO, Igor. A biografia do ponto de vista comunicacional. MATRIZes, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 153-173, 2014. Disponível em: https://revistas.usp.br/matrizes/article/view/90452. Acesso em: 16 jun. 2025.

SALGADO, Julia. Entre solitários e solidários: o empreendedor como trabalhador ideal. Curitiba: Appris, 2020. DOI: https://doi.org/10.18366/jusa.2501.2021

SCHWARCZ, Lilia Moritz. Biografia como gênero e problema. História Social, Campinas, v. 17, n. 24, p. 51-74, 2013. Disponível em: https://ojs.ifch.unicamp.br/index.php/rhs/article/view/1577. Acesso em: 16 jun. 2025. DOI: https://doi.org/10.53000/hs.v17i24.1577

SODRÉ, Muniz. A ciência do comum. Petrópolis: Vozes, 2014.

Downloads

Publicado

2025-08-05

Como Citar

dos Santos Marcelino, M., & Sacramento, I. (2025). Empreendendo na memória: anacronismo biográfico nas narrativas de vida empresariais. Revista FAMECOS, 32(1), e46860. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2025.1.46860

Edição

Seção

Comunicação Organizacional