Surveillance e as “novas” tecnologias de Controle biopolítico

Palavras-chave: Biopolítica. Surveillance. Sociedade do Controle. Sistema Penal.

Resumo

O presente estudo tem como tema o surveillance e a sociedade do controle biopolítico, sendo dada ênfase à conexão com o sistema penal e as tecnologias dispostas nas práticas de segurança. Tem-se como problema de pesquisa como e de que forma operam os “novos” mecanismos de surveillance em prol da segurança no modelo biopolítico do Estado penal? Conclui-se que o modelo de controle atual baseado em riscos e algoritmos emprega o surveillance (e suas “novas” tecnologias) em uma atuação securitária seletiva, adotando o discurso “científico/tecnológico” como escusa para manutenção discriminatória de uma biopolítica da atuação penal voltada para morte de sujeitos e grupos sociais específicos. Por fim, a metodologia empregada compreende uma abordagem fenomenológico-hermenêutica, um método de procedimento monográfico e técnica de pesquisa por documentação indireta.

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Biografia do Autor

Augusto Jobim do Amaral, PUCRS
Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais e do Porgrama de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS; Doutor em História do Pensamento (Coimbra/POR) e Doutor em Ciências Criminais pela PUCRS.
Felipe da Veiga Dias, Faculdade Meridional - IMED

Doutor em Direito pela UNISC. Professor da IMED.

Atualmente realizada estágio pós-doutoral em ciências criminais na PUCRS.

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Publicado
2019-05-23
Como Citar
Amaral, A. J. do, & Dias, F. da V. (2019). Surveillance e as “novas” tecnologias de Controle biopolítico. Veritas (Porto Alegre), 64(1), e33427. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2019.1.33427