Imaginário coletivo: estudos do sensível na teoria do jornalismo

  • Gislene Silva Universidde Federal de Santa Catarina
Palavras-chave: Jornalismo, imaginário, epistemologia

Resumo

Estudar o imaginário na imprensa supõe, de antemão, questionar os fundamentos que vêm sustentando uma Teoria do Jornalismo bastante difundida no ensino e pesquisa desta área no país – os da objetividade, imparcialidade, clareza e exatidão. Inserida na camisa-de-força da realidade factual e comprovável empiricamente, esta teoria ignora ou recusa as manifestações sensíveis e emocionais, simbólicas e míticas do mundo imaginário, percebidas aquém e além do que nos mostram os recursos do racionalismo e que estão presentes rotineiramente nas temáticas diversas da cobertura jornalística. A questão exige discutir o conceito de imaginário na relação entre sensibilidade e razão, fazendo a opção por uma teoria mais aberta e ampla para investigar o fenômeno jornalístico, o que requer não somente um gesto mais acolhedor quanto à relevância do cotidiano e do senso comum nas teorias jornalísticas, mas uma atitude epistemológico-metodológica mais compreensiva do que explicativa.

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Biografia do Autor

Gislene Silva, Universidde Federal de Santa Catarina
Professora do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo. Doutora pelo programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

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Publicado
2011-01-05
Como Citar
Silva, G. (2011). Imaginário coletivo: estudos do sensível na teoria do jornalismo. Revista FAMECOS, 17(3), 244-252. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2010.3.7382
Seção
Jornalismo e Conhecimento