Jornalismo e movimentos em rede: a emergência de uma crise sistêmica

  • Ronaldo Cesar Henn Univiersidade do Vale do Rio dos Sinos
  • Felipe Moura de Oliveria Doutorando no PPG em Ciências da Comunicação da Unisinos
Palavras-chave: Crise, Ciberacontecimento, Movimentos de ocupação global

Resumo

O artigo oferece desenho conceitual do que se postula ser a crise enfrentada pelo jornalismo contemporâneo, cujo processamento se dá em plataformas distintas e convergentes de produção e circulação da informação. Entende-se a crise a partir de perspectiva sistêmica associada a conceitos advindos da Teoria Geral dos Signos, de C. S. Peirce, e da Semiosfera, de Yuri Lotman.  Compreende-se o jornalismo como um sistema aberto, dinâmico, complexo e não linear, que se transforma potencialmente na interação com outros sistemas de produção de sentido, como os que são agenciados pelas redes sociais digitais. A concretização do debate se dá pelo cotejamento dessa reflexão aos casos observados em pesquisas atualmente empreendidas pelos autores deste trabalho

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ronaldo Cesar Henn, Univiersidade do Vale do Rio dos Sinos
Mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUCSP, professor adjunto no PPG em Ciências da Comunicação da Unisinos. Reisde na rua Augusto Pestana, 25, ap. 91, Porto Alegre, RS, CEP 90040-200. Email: [email protected]
Felipe Moura de Oliveria, Doutorando no PPG em Ciências da Comunicação da Unisinos
Jornalista, mestre em Ciências da Comunicação pela Unisinos e doutorando no mesmo programa. Reside na rua Fredolino de Souza Soares, 120, Boa Saúde, Novo Hamburgo - RS, CEP 93347-215. Email: [email protected]

Referências

ANDERSON, P., Complexity Theory and Organization Science. Organization Science, v. 10, n. 3, p. 216–232, May–June 1999.

BARBOSA, S.; TORRES, V. Extensões do paradigma JDBD no jornalismo contemporâneo: modos de narrar, formatos e visualização para conteúdos. In: XXI Compôs, 2012, Juiz de Fora. Anais... Juiz de Fora: UFJF, 2012.

BARNSLEY, M., Fractals Everywhere, Academic Press, Inc., 1998.

BERGÉ, P., POMEAU, Y. e DUBOIS-GANCE, M. Dos ritmos aos caos. São Paulo: Unesp, 1995.

BENETTI, M. O jornalismo como acontecimento. In: BENETTI, M; FONSECA, V. Jornalismo e Acontecimento: mapeamentos críticos. Florianópolis: Insular, 2010. p. 143-164.

BUNGE, M. Tratise on basic philosophy. v. 4. A world of systems. Dordrecht: D. Reidel Publishing Company, 1979.

______. Sistemas sociales y Filosofia. Buenos Aires: Sudamericana, 1999.

CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006.

CHESTERS, G. e WELSH, I., Complexity and Social Movement(s). Process and Emergence in Planetary Action Systems. Theory, Culture & Society. SAGE, London, Thousand Oaks and New Delhi), v. 22, n. 5,p. 187-211, 2005.

COLAPIETRO, V., The Routes of Significance: Reflections on Peirce’s Theory of Interpretants. Cognitio, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 11-27, jan./jun. 2004.

FRANCISCATO, C. A fabricação do presente: como o jornalismo reformulou a experiência do tempo nas sociedades ocidentais. São Cristóvão: Editora UFS/Fundação Oviedo Teixeira, 2005.

GLEICK, J. Chaos. London: Sphere, 1988.

HARRISON, M. J., Entropy concepts in physics, in Entropy and Information in Science and Philosophy, 1975.

HEINRICH, A. Networked Journalism. Londres: Routledge, 2011.

HENN, R. C., Pauta e notícia. Canoas: Ulbra, 1996.

_______. Os Fluxos da Notícia. São Leopoldo: Unisinos, 2002.

_______. O acontecimento em sua dimensão semiótica. In: BENETTI, M; FONSECA, V. Jornalismo e Acontecimento: mapeamentos críticos. Florianópolis: Insular, 2010. P.p. 77-93.

_______. A semiodiversidade diante da irreverssibilidade do tempo. In: SILVA, Alexandre Rocha; Nakagawa, Regiane Miranda.. (Org.). Semiótica da Comunicação. 1ed. São Paulo: Intercom, 2013, v. 10. p. 102-119.

_______. O ciberacontecimento. In: VOGEL, D., MEDITSCH, E, e SILVA, G., Jornalismo e acontecimento: tramas conceituais. Florianópolis: Insular, 2013 .p 21-34.

KAUFFMAN, S. At home in the universe: the search for laws of selforganization and complexity. New York and Oxford: Oxford University Press, 1995.

JENKINS, H.; FORD, S. e GREEN, J., Spreadable Media, Creatin, Value and Meaning in a Networked Culture. Nova York: New York University Press, 2013.

LAFUENTE, G. A melhor maneira de fazer jornalismo é pela internet: entrevista com GumersindoLafuente Parte 1. In: MAROCCO, B. O jornalista e a prática: entrevistas. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2012. p. 211-218.

LIEBOVITCH, L.S. Fractals and Chaos Simplied for The Life Sciences, Oxford University: Press, 1998.

LOTMAN, Y., La semiosfera. Madri: Catedra, 1996.

______. Cultura y explosión, Lo previsible en los processos de cambio social. Barcelona: Gedisa Editorial, 1999.

LOTMAN, Y., USPENSKII, B., et. al. , Ensaios de Semiótica Soviética. Lisboa: Horizonte Universitário, 1981.

LUHMANN, N. Social Systems. Stanford, CA: Stanford University Press, 1995.

MAASEN, S. e WEINGART, P., Metaphors and the Dynamics of Knowledge. London: Routledge, 2000.

MACHADO, E.; PALACIOS, M. (orgs). Modelos de jornalismo digital. Salvador: Calandra, 2003.

MACKENZIE, A., The Problem of the Attractor : A Singular Generality between Sciences and Social Theory. Theory, Culture & Society. SAGE, London, Thousand Oaks and New Delhi), v. 22, n. 5, p. 45–65, 2005.

MERRELL, F., Lotman’s semiosfhere, Peirces’ categories, and cultural forms of life. In: Sign Systems Studies, 29.2. Rússia e Estônia, 2001.

MEDITSCH, E. O Jornalismo é uma forma de conhecimento?1997. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/meditsch-eduardo-jornalismo-conhecimento.pdf. Acesso: 10 fev. 2014.

MIELNICZUK, L., Jornalismo na web: uma contribuição para o estudo do formato da notícia na escrita hipertextual. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura) - Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, 2003.

MORIN, E., O enigma do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

______. O Método I. A natureza da natureza. Mira-Sintra. Europa-América, 1986a.

______. O Método II, A vida da vida. Mira-Sintra. Europa-América, 1986b.

______. O Método III, A consciência da consciência. Mira-Sintra. Europa-América, 1986c.

______. O Método IV, As ideias. Habitat, vida, costumes, organização. Porto Alegre: Sulina, 1998.

MORIN, E. e PIATTELI-PALMARINI, M. (ed). A unidade do Homem. 3 vol. São Paulo: Cultrix, 1975.

NOWOTMY, H., The Increase of Complexity and its Reduction. Emergent Interfaces between the Natural Sciences, Humanities and Social Sciences. Theory, Culture & Society. SAGE, London, Thousand Oaks and New Delhi), v. 22, n. 5, p. 15–31, 2005.

OLIVEIRA, F. M., Produção da notícia e movimentos sociais: processos de produção no Jornalismo. 2012. 286f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) - Unisinos, São Leopoldo, RS, 2012.

OLIVEIRA, F. M.; HENN, R. C., Jornalismo, redes sociais e movimentos de ocupação global: uma crise sistêmica na semiosfera contemporânea. In: II Colóquio Internacional Mudanças Estruturais no Jornalismo, 2013. Anais.... Mejor: 2013, p. 443-456.

______. Movimentos em rede e ocupação do espaço público: limites e possibilidades antes a crise do jornalismo. In: XI Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, 2013b, Brasília. Anais... Brasília: SBPJor, 2013b.

PALÁCIOS, M. e NOCI, J. D. (Eds), Ciberperiodismo: métodos de investigación: Una aproximación multidisciplinar em perspectiva comparada. Servicio Editorial de la Universidad del País Vasco, 2009. Disponível em: http://www.ehu.es/argitalpenak/images/stories/libros_gratuitos_en_pdf/Ciencias_Sociales/Ciberperiodismo%20%20Metodos%20de%20investigacion.pdf, Acesso em: 10 fev 2014.

PEIRCE, C. S., The Collected Papers of Charles Sanders Peirce. Past Masters, CD-ROM. EUA, InteLex Corporation, 2002.

PRIGOGINE, I., Order trough Fluctuation: Self-Organization na Social System. In, Evolution an Consciousness: Human Systems in Transition. Jantsch, E. and Waddington, C. H. (eds.). Massachusetts. Addison-Wesly Publ. Company, 1976. p. 93-126.

______. O fim das certezas: tempo, caos e as leis da natureza. São Paulo: Unesp, 1996.

PRIGOGINE, I. e STENGERS, Order out of Chaos. London: Heinemann, 1984.

RAMONET, I., A explosão do jornalismo. Das mídias de massa à massa de mídias. São Paulo: Publisher Brasil, 2013.

RODRIGUES, A. D., Experiência, modernidade e campo dos média. In: SANTANA, R. N. M. (Org). Reflexões sobre o mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Revan: Teresina, PI: Universidade Federal do Piauí, 2000. p. 169-214.

RUSSELL, A., Networked, a Contemporary History of News in Transition. Cambridge: Polity Press, 2011.

SANTAELLA, L. A Teoria Geral dos Signos: como as linguagens significam as coisas. São Paulo: Cengae Learning, 2008.

SOMMERFELD, P. e HOLLENSTEIN, L., Searching for Appropriate Waysto Face the Challenges of Complexity and Dynamics, in British Journal of Social Work, 41, p. 668–688, 2011.

STEWART, I. Does God Play Dice? The Mathematics of Chaos. Oxford: Basil Blackwell, 1989

SUROWIECKI, J. (2004) The Wisdom of Crowds. London: Little Brown.

SCHWINGEL, C. Ciberjornalismo. São Paulo: Paulinas, 2012.

URRY, J., The Complexity Turn. Theory, Culture & Society. SAGE, London, Thousand Oaks and New Delhi, v. 22, n. 5, p. 1–14, 2005.

ZAGO, G., Recirculação jornalística no twitter: filtro e comentário de notícias por interagentes como uma forma de potencialização da circulação. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação) - UFRGS, Porto Alegre, RS, 2011.

Publicado
2015-07-15
Como Citar
Henn, R. C., & Oliveria, F. M. de. (2015). Jornalismo e movimentos em rede: a emergência de uma crise sistêmica. Revista FAMECOS, 22(3), 77-95. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2015.3.20560
Seção
Jornalismo