A pixelização dos muros: graffiti urbano, tecnologias digitais e cultura visual contemporânea

  • Ricardo Campos CEMRI
Palavras-chave: Graffiti, tecnologias digitais, internet, cultura visual

Resumo

Neste artigo, centramo-nos sobre um formato de comunicação tipicamente urbano, o graffiti, examinando algumas das alterações que se registaram nos últimos anos, como consequência da grande expansão das tecnologias e plataformas digitais de comunicação. Tendo por base uma análise do graffiti existente na área metropolitana de Lisboa, procuramos desvendar outras facetas desta prática cultural que, atualmente, não vive exclusivamente da cidade e dos seus suportes comunicacionais, passando a estar cada vez mais presente no mundo virtual. A internet e a democratização do acesso a tecnologias digitais de registo em imagem (telemóveis, câmaras fotográficas e de vídeo), facultaram aos jovens que fazem graffiti novas ferramentas para alcançarem o almejado espaço de visibilidade que procuram, inaugurando novos formatos de comunicação e alargando o campo dos destinatários desta linguagem visual. Argumentamos que este processo está em consonância com a cultura visual contemporânea, que faz a síntese entre uma crescente globalização, digitalização e hibridização das iconografias e linguagens visuais. A pixelização dos muros refere-se, precisamente, a esta gradual transição do graffiti das paredes urbanas para as múltiplas telas e redes eletrônicas, deste modo alterando a forma como esta atividade se produz e se dissemina, sendo actualmente dirigida a um público cada vez mais vasto.

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Como Citar
Campos, R. (2012). A pixelização dos muros: graffiti urbano, tecnologias digitais e cultura visual contemporânea. Revista FAMECOS, 19(2), 543-566. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2012.2.12338
Seção
Imagens