“Mind the trap”: o menino, a escola e a folha de alface

Palavras-chave: Escola. Currículo. Gênero. Masculinidades. Desempenho escolar.

Resumo

Este artigo é parte de investigação que acompanha trajetórias de meninos em escolas, analisando as implicações entre disposições curriculares e produção de masculinidades, com repercussões no desempenho escolar. Dentre as estratégias metodológicas que este projeto de pesquisa lança mão, aqui se privilegiam episódios registrados em diário de campo, fruto da observação direta das interações de um aluno regular do nono ano do ensino fundamental de escola pública da Grande Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Os conceitos de gênero, masculinidade, escola e currículo são centrais na discussão que se pretende estabelecer, toda elaborada a partir das cenas observadas, que podem ser alegoricamente representadas por um boné com uma folha bordada que lhe serve de enfeite. Os embates entre produzir-se homem, ser bom aluno, cumprir as exigências curriculares, viver sua cultura uvenil, ocupar-se com a preparação para o futuro, atender aos planos familiares, ser compreendido pelos professores, constituem o terreno pelo qual a trajetória do aluno se desenrola.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fernando Seffner, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Graduação em Geologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS (1981), Licenciatura em História pela UFRGS (1987), Mestrado em Sociologia pela UFRGS (1995) e Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação UFRGS (2003), com período de estudos junto ao Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS UERJ). Professor Associado III da Faculdade de Educação da UFRGS Departamento de Ensino e Currículo. Docente e orientador junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU) na linha de pesquisa Educação, Sexualidade e Relações de Gênero, com ênfase temática nas pedagogias de construção das masculinidades. Docente e orientador no Mestrado Profissional em Ensino de História - PROFHISTÓRIA, polo UFRGS. Atua em pesquisas e orientações investigando situações de vulnerabilidade a AIDS; respostas religiosas a AIDS; conexões entre direitos humanos e políticas públicas de gênero e sexualidade, teorizações queer, interseccionalidade e marcadores da diferença. No nível de graduação dedica-se a disciplinas que envolvem o ensino de História e pesquisa a construção de aprendizagens significativas nesta área a partir da etnografia de cenas de sala de aula. É líder do Grupo de Estudos em Educação e Relações de Gênero GEERGE PPGEDU UFRGS e integrante da equipe do LISTHE Laboratório de Ensino de História e Educação FACED IFCH CAP UFRGS e do Núcleo de Estudos e Pesquisas em AIDS NEPAIDS USP, todos registrados no DGP CNP
Luciano Ferreira da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Possui graduação em Letras pela Faculdade Porto-Alegrense (1997). Atualmente é professor estadual do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e professor - COLÉGIO DOM FELICIANO. Possui Mestrado em Educação pela UFRGS (2012).

Referências

ARROYO, Miguel Gonzalez. Ofício de mestre. Petrópolis: Vozes, 2000.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

CARVALHO, Marília Pinto de. Gênero e política educacional em tempos de incerteza. In: HYPOLITO, Álvaro Moreira; GANDIN, Luis Armando (org.). Educação em tempos de incertezas. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 137-162.

CONNELL, Raewyn W. Masculinities. Los Angeles: University California Press, 2005.

CONTE, Marta. Desafios na juventude: drogas, consumismo e violências. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 33, n. 2, p. 131-146, jul./dez. 2008.

DAR – Desentorpecendo a Razão. Leia na íntegra o projeto de lei que legaliza a maconha no Uruguai. São Paulo, 27 ago. 2013. Disponível em: http://coletivodar. org/2013/08/leia-naintegra-o-pl-que-legaliza-producao-distribuicao-e-consumode-maconha-no-uruguai/. Acesso em: 25 out. 2015.

FELIPE, Jane. Infância, gênero e sexualidade. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 25, n. 1, p. 115-131, 2000.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

G1.Globo.com. Oregon se torna quarto estado dos EUA a liberar consumo de maconha. 02 de jul. de 2015. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/oregon-setorna-quarto-estado-dos-eua-liberar-consumo-de-maconha.html. Acesso em: 25 out. 2015.

GREEN, Bill; BIGUN, Chris. Alienígenas na sala de aula. In: SILVA, Tomaz Tadeu (org.). Alienígenas na sala de aula. Petrópolis: Vozes, 1995. p. 206-243.

IBGE. Síntese de indicadores sociais 2002. Síntese de indicadores sociais confirma as desigualdades da sociedade brasileira. Brasília, 12 de junho de 2003. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/12062003indic2002.shtm. Acesso em: 1º out. 2014.

INEP. Mulheres estão em maior número na educação superior. Brasília, 06 mar. 2009.

LOURO, Guacira Lopes. Pedagogias da sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. p. 7-34.

MICHELET, Jules. A mulher. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

MOREIRA, Jaqueline de Oliveira. Mudanças na percepção dobre o processo de envelhecimento: reflexões preliminares. Psicologia: Teoria e Pesquisa, São Paulo, v. 28, n. 4, p. 451-456, out./dez. 2012. Disponível em: scielo. br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722012000400003&lang=pt. Acesso em: 1º nov. 2015.

RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

SEFFNER, Fernando. Um bocado de sexo, pouco giz, quase nada de apagador e muitas provas: cenas escolares envolvendo questões de gênero e sexualidade. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 19, n. 2, p. 561-572, 2011. Disponível em: http://www. scielo.br/pdf/ref/v19n2/v19n2a17. pdf. Acesso em: 1º nov. 2015.

SEFFNER, Fernando. Escola pública e professor como adulto de referência: indispensáveis em qualquer projeto de nação. Educação Unisinos (on-line), v. 20, p. 48-57, 2016. Disponível em: http://www.revistas. unisinos. br/index. php/educacao/article/view/9284.

SEFFNER, Fernando; SILVA, Luciano Ferreira da. Canetas coloridas ou mini-skates? Coisas de meninas e coisas de meninos na cultura escolar. Métis, História e Cultura, Caxias do Sul, v. 13, n. 26, p. 31-60, jul./dez. 2014.

SILVA, Luciano Ferreira da. Mindthegap: processos de construção e manutenção das masculinidades e distanciamentos no desempenho escolar de meninos e meninas. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

VEIGA-NETO, Alfredo. Pensar a escola como uma instituição que pelo menos garanta a manutenção das conquistas fundamentais da modernidade. In: COSTA, Marisa Vorraber (org.). A Escola tem Futuro? Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p. 103-126.

WORLD ECONOMIC FORUM. The Global Gender Gap Report 2014. 2014. Disponível em: http://reports.weforum.org/global-gender-gap-report-2014. Acesso em: 1º out. 2015.

XAVIER, Maria Luiza M. F. Escola contemporânea: o desafio do enfrentamento de novos papéis, funções e compromissos. In: BUJES, Maria Isabel; BONIN, Iara Tatiana (org.). Pedagogias sem Fronteiras. Canoas: Ed. Ulbra, 2010. p. 93-104.

Publicado
2016-12-22
Como Citar
Seffner, F., & da Silva, L. F. (2016). “Mind the trap”: o menino, a escola e a folha de alface. Educação, 39(3), 393-403. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2016.3.22451
Seção
Outros Temas