Vozes transgressoras na escola

Ecos e apologias do funk

Palavras-chave: Educação intercultural, Gênero, Funk, Hibridações

Resumo

O artigo, derivado de uma pesquisa em curso, adota as narrativas do funk para incursões sobre a problemática de gênero pelo viés da educação intercultural. Considerada uma expressão cultural híbrida, o funk insinua “performances” e linguagens de cunho sexista. Para verificar essa premissa no universo escolar, estudantes do 5º ano do ensino fundamental de uma escola pública paraibana desenvolveram uma perspectiva analítica das letras. Observou-se que o repertório instiga coreografias provocativas e é constituído por termos obscenos e/ou pejorativos que reverberam alusões depreciativas e discriminatórias em torno da mulher numa incitação da exploração sexual. Sugere-se, portanto, que a apropriação das letras do funk nos espaços-tempos escolares, por meio de observações semântico-culturais, pode fomentar reflexões pedagógicas sobre as questões do feminino.

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Biografia do Autor

Robéria Nádia Araújo Nascimento, Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Campina Grande, PB, Brasil.

Doutorado em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Brasil. Atualmente é Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores (PPGFP/UEPB).

Thatiane Oliveira do Nascimento, Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Campina Grande, PB, Brasil.

Graduação em Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba, UFPB, Brasil. Atualmente é mestranda em Educação pelo PPGFP – UEPB (2020).

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Publicado
2021-08-09
Como Citar
Nascimento, R. N. A., & do Nascimento, T. O. (2021). Vozes transgressoras na escola: Ecos e apologias do funk. Educação Por Escrito, 12(1), e38369. https://doi.org/10.15448/2179-8435.2021.1.38369