O problema da representação do Real em Todos os Nomes

Constituições borgianas de Saramago para refletir sobre a linguagem

Palavras-chave: José Saramago, Todos os Nomes, Romance português contemporâneo

Resumo

O presente artigo identifica nas características da produção ficcional de José Saramago em sua fase finissecular uma preocupação maior com a linguagem, sugerindo, então, que ela passa a ocupar o lugar central que antes era do discurso histórico em seus romances. A partir disso, a análise se debruça sobre a obra Todos os Nomes, de 1997, na qual é possível supor diálogos entre o narrador de Saramago e as constituições narrativas de Borges, além de outras reflexões filosóficas de autores como Roland Barthes, Jacques Derrida e Michel Foucault. A principal reflexão a que este artigo se dedica é sobre a possível preocupação de Saramago em relação ao problema da representação do real pela linguagem.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariana Perizzolo Lencina, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Pato Branco, PR, Brasil.

Mestre em Letras pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Pato Branco, PR, Brasil, na área de Linguagem, Cultura e Sociedade. Licenciada em em Letras Português - Inglês pela mesma instituição, com sanduíche de dois anos (2013-2015) na Universidade do Minho (UMinho), em Braga, Portugal, pelo Programa de Licenciaturas Internacionais - Edital 17/2013 da CAPES.

Wellington Ricardo Fioruci, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Pato Branco, PR, Brasil.

Doutor em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP-Assis), em Assis, SP, Brasil, na área de Literatura Comparada; com pós-doutoramento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil. Professor no curso de Letras da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Pato Branco, PR, Brasil e como docente permanente do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL) na mesma instituição.

Referências

ALAZRAKI, Jaime. Las figuras de contigüidad en la prosa narrativa de Borges. Revista Iberoamericana, São Paulo, v. 14, n. 65, p. 45-66, 1968.

ALAZRAKI, Jaime. La prosa narrativa de Jorge Luis Borges. Madrid: Gredos, 1974.

BARTHES, Roland. Aula. 14. ed. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 1980.

BARTHES, Roland. O rumor da língua. Tradução de Mario Laranjeira. Martins Fontes: São Paulo, 2004.

BORGES, Jorge Luis. A Biblioteca de Babel. In: BORGES, Jorge Luis. Ficções. Globo: São Paulo, 1999. p. 38-42.

BORGES, Jorge Luis. O Aleph. In: BORGES, Jorge Luis. O Aleph. São Paulo: Editora Globo, 1998. p. 87-96.

BORGES, Jorge Luis. Outras inquisições. Tradução de Davi Arrigucci Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

DERRIDA, Jacques. A Escritura e a Diferença. Tradução de Maria Beatriz Marques Nizza da Silva. São Paulo: Perspectiva, 1995.

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: Uma arqueologia das ciências humanas. Tradução de Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

LIMA, Isabel Pires de. Dos anjos da história em dois romances de Saramago (Ensaio sobre a cegueira e Todos os nomes). Colóquio/ Letras, Lisboa, n. 151/152, p. 415-426, 1999.

KOLEFF, Miguel Alberto. O conceito de alegoria em José Saramago. Uma reflexão benjaminiana. Revista de Estudos Saramaguianos, Brasil – Portugal. n. 2, p. 135-150, jul. 2015. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/0BxyJDvv3PhxmeDVteFlzZW5EZGs/view. Acesso em: 18 nov. 2018.

PERRONE-MOISÉS, Leyla. A ficção como desafio ao registo civil. Colóquio/Letras, Lisboa, n. 151/152, p. 429-439, 1999.

REIS, Carlos. Diálogos com José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 1998.

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a Cegueira. Porto: Porto Editora, 2015.

SARAMAGO, José. Folhas Políticas. Porto: Porto Editora, 2015.

SARAMAGO, José. Todos os nomes. 2. ed. Lisboa: Editorial Caminho, 1998.

Publicado
2022-06-01
Como Citar
Lencina, M. P., & Fioruci, W. R. (2022). O problema da representação do Real em Todos os Nomes: Constituições borgianas de Saramago para refletir sobre a linguagem. Navegações, 15(1), e42461. https://doi.org/10.15448/1983-4276.2022.1.42461