A concepção do ato de narrar representada pela personagem Raimundo Silva, em História do cerco de Lisboa, de José Saramago

Palavras-chave: História do cerco de Lisboa, José Saramago, Raimundo Silva, Paul Ricoeur

Resumo

Objetivamos, no presente artigo, refletir sobre a concepção do ato de narrar representada pela personagem Raimundo Silva, em História do cerco de Lisboa, de José Saramago. Para isso, buscamos pensar sobre como Raimundo Silva lê as suas experiências antes e depois do seu ato infrator, de colocar um “não no lugar de um “sim” em um documento histórico já consagrado pela tradição. A fim de evidenciar como a teoria pode servir para iluminar a literatura, aproximo-me do romance sob a chave de leitura da chamada teoria ricoeuriana de “A tríplice mimese”, pertencente à obra Tempo e Narrativa (1983 [1994]). Esse corpo teórico se torna importante por tratar da identidade narrativa, em que o ato de narrar, de “pôr-em-intriga” os acontecimentos, constitui a maneira pela qual o sujeito organiza as suas experiências práticas. Esse ponto pode vir a explicar a necessidade imperante de Raimundo Silva de modificar o texto de outrem e, assim, a sua própria identidade, cruzando os limites da sua função de corretor.

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Biografia do Autor

Karen Lorrany Neves Adorno, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

Doutoranda em Estudos Literários na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), em Maringá, PR, Brasil; licenciada em Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, GO, Brasil e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), em Coimbra, Portugal. 

Raquel Trentin Oliveira, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil; mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria, RS, Brasil professora associada dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Letras da UFSM. 

Referências

GENETTE, Gérard. Discurso da narrativa. Tradução de Fernando Cabral Martins. Lisboa: Vega, 1995.

LODGE, David. A arte da ficção. Tradução de Guilherme da Silva Braga. São Paulo: L&PM Pocket, 2020.

REIS, Carlos. Dicionário de Estudos narrativos. Coimbra: Almedina, 2018.

RICOEUR, Paul. Entre tempo e narrativa: concordância/discordância. Tradução de João Batista Botton. Kriterion: Revista de Filosofia, Belo Horizonte, n. 125, p. 299-310, jun. 2012.

RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Tradução de Constança Marcondes Cesar. São Paulo: Papirus, 1994. t. 1

SARAMAGO, José. As palavras de Saramago. Fernando Gomes Aguilera (org.). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

SARAMAGO, José. História do cerco de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

Publicado
2022-08-11
Como Citar
Adorno, K. L. N., & Oliveira, R. T. (2022). A concepção do ato de narrar representada pela personagem Raimundo Silva, em História do cerco de Lisboa, de José Saramago. Navegações, 15(1), e42401. https://doi.org/10.15448/1983-4276.2022.1.42401