A ciência da poesia da ciência em Augusto dos Anjos

Palavras-chave: Augusto dos Anjos, Vitalismo e mecanicismo, Denotação, Poesia científica

Resumo

Este artigo apresenta um estudo sobre o diálogo entre as ideias e a estética de Augusto dos Anjos. O que se pretende postular é que o poeta paraibano coloca sua vigorosa estética à serviço das ideias que eram expurgadas da cena literária e acadêmica sob o rótulo de vitalismo, a favor da hegemonia do mecanicismo. As imagens estéticas, o uso de uma linguagem científica quase completamente denotativa e a morbidez, como paroxismo desse projeto estético, não constituem propriamente uma iniciativa isolada do poeta, mas nem mesmo seus coetâneos compreenderam a grandeza de seu projeto e como foi necessário, para realizá-lo, que ele elevasse sua poética a um inusitado patamar estético. Augusto dos Anjos, mesmo à margem do epicentro elitista da rua do Ouvidor (onde seu sotaque e sua cor não teriam lugar), logrou construir uma verdadeira poética da denotação que se fez constituir um dos baluartes mais radicais de uma literatura que ali, por suas mãos, adentrava a modernidade.

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Biografia do Autor

Henrique F. Cairus, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Doutor em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil, atuando na Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia.

Sabrina Alves dos Santos, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Especialista em Produção Textual pela Faculdade Venda Noca do Imigrante (FAVENI). Licenciada em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

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Publicado
2021-08-18
Como Citar
Cairus, H. F., & dos Santos, S. A. (2021). A ciência da poesia da ciência em Augusto dos Anjos. Navegações, 14(1), e37390. https://doi.org/10.15448/1983-4276.2021.1.37390
Seção
Ensaios