A literatura de autoria feminina no Brasil: um estudo sobre a trajetória de Francisca Júlia

Palavras-chave: Francisca Júlia. Historiografia literária. Autoria feminina. Parnasianismo. Simbolismo.

Resumo

Este artigo objetiva considerar a trajetória poética de Francisca Júlia da Silva Munster (1871-1920), escritora paulista que publicou quatro livros, sendo Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esphinges (1903) e, por último, em parceria com o irmão, publicou Alma Infantil (1920). A poeta foi uma das precursoras da inserção feminina na literatura a partir de uma perspectiva também feminina, pensando o corpo da mulher na literatura sob uma ótica também da mulher. A escritora enfrentou um sistema social pautado nos valores patriarcais e no silenciamento feminino, mas alcançou singular reconhecimento no cenário literário daquele período, no entanto, definhou-se ao longo do tempo até que se tornasse esquecida nas prateleiras das bibliotecas e carente de visibilidade e reconhecimento nos estudos científicos da atualidade. Para o embasamento teórico, alguns críticos foram considerados para subsidiar as discussões, principalmente, os estudos críticos de Ramos (1961) e Camargos (2007), pautados na trajetória poética de Francisca Júlia e no alcance de seu nome, seja em meados do século XX, seja nos anos seguintes de sua morte.  Paraalém desses, outros teóricos, foram utilizados para compreendermos as temáticas e o modo como se organiza a sua produção poética.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jaqueline Ferreira Borges, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP

Mestra em Estudos Literários, pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU, Uberlândia, MG, Brasil), doutoranda em Estudos de Literatura pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em São Carlos, SP, Brasil.

Referências

AUERBACH, Erich. Mimesis. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2015.

AYALA, Maria Ignez Novais; DUARTE, Eduardo de Assis. (org.). Múltiplo Mário: ensaios. João Pessoa, PB; Natal, RN: UFPB-Ed. Universitária; UFRN-Ed. Universitária, 1997.

BORGES, Luciana. O erotismo como ruptura na ficção brasileira de autoria feminina. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2013.

BOSI, Alfredo. O ser e o tempo na poesia. São Paulo: Cultrix, 2000.

CAMARGOS, Márcia. Musa Impassível: a poetisa Francisca Júlia no cinzel de Victor da Costa Albuquerque et al. (Trad.). 4. ed. Rio de Janeiro: São Paulo: Paz e Terra, 2007.

NÚCLEO Espírita Francisca Júlia. Disponível em: https://www.franciscajulia-ramatis.com.br/. Acesso em: 22 jan. 2020.

FOUCAULT, Michel. A história da sexualidade: a vontade de saber. Maria Thereza da Costa Albuquerque et al. (Trad.). 4. ed. Rio de Janeiro: São Paulo: Paz e Terra, 2017.

MUZART, Zahidé L. (org.). Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. Florianópolis: Editora Mulheres; Santa Cruz do Sul. EDUNISC, 1999, v. 1.

MUZART, Zahidé L. (org.). Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. Florianópolis: Editora Mulheres; Santa Cruz do Sul. EDUNISC, 2004. v. 2

LÔBO, Danilo. Francisca Júlia: entre o pincel e a pena. Universidade Federal de SantaCatarina: Publicação do Programa de Pós-Graduação em Literatura. Florianópolis: Travessia, 1991.

PAZ, Octávio. O arco e a lira. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

PAZ, Octávio. A chama dupla: amor e erotismo. Lisboa: Assírio e Alvim, 1993.

PEREIRA, Kênia Maria de Almeida. A universidade e a formação do aluno leitor. Uberlândia: EDIBRÁS, 2008.

PEREIRA NETO, João Vicente. Oscilações líricas de uma musa impassível: itinerário poético de Francisca Júlia no sistema literário brasileiro. 2013. 139 f. Dissertação (Mestrado em Literatura) – Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2013. Disponível em: http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/14840/3/2013_JoaoVicentePereiraNeto.pdf. Acesso em: 10 jun. 2019. https://doi.org/10.18840/1980-8860/rvmd.v10n1p354-377

PRIORE, Mary del (org.). História das mulheres no Brasil. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2010. https://doi.org/10.4000/clio.210

RAMOS, Péricles Eugênio da Silva (org.). Poesias de Francisca Júlia. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1961.

SCHMIDT, Rita Terezinha. Para além do dualismo natureza/cultura: ficções do corpo feminino. Organon: Revista do Instituto de Letras da UFRGS, Porto Alegre, v. 27, n. 5, p. 1-20, 2012. https://doi.org/10.22456/2238-8915.33480

SCHWANTS, Cíntia. Dilemas da representação feminina. OPSIS: Revista do NIESC, [S. l.], Goiânia, v. 6, p. 7-19, 2006. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/Opsis/article/viewFile/9308/6400?-journal=Opsis. Acesso em: 13 jun. 2019. https://doi.org/10.5216/o.v6i1.9308

SILVA, Francisca Júlia da. Alma Infantil. São Paulo e Rio de Janeiro: Livraria Magalhães, 1912.

SILVA, Francisca Júlia da. Alma Infantil. 2. ed. São Paulo: B4 kids, 2003.

SILVA, Francisca Júlia da. Esphinges. São Paulo: Bartley Junior e Companhia, 1903.

SILVA, Francisca Júlia da. Esphinges. 2. ed. São Paulo: Monteiro Lobato e Cia. 1921.

SILVA, Francisca Júlia da. Livro de Infância. São Paulo: Typographia Diário Oficial, 1899.

SILVA, Francisca Júlia da. Mármores. São Paulo: Horácio Belford Sabino, 1985.

SIMÔES JUNIOR, Álvaro Santos. Da literatura ao jornalismo: periódicos brasileiros do século XIX. Patrimônio e Memória, Marília, v.2, n. 2, p. [1-20], 2006.

TELLES, Norma. Escritoras, escritas, escrituras. In: DEL PRIORE, Mary (org.). História das mulheres no Brasil. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2010. p. 401-443. https://doi.org/10.4000/clio.210

SILVA, Marcelo Medeiros da. Poesia e resistência no Brasil: o caso das poetisas oitocentistas. Revista Artemis, Paraíba, v. 14, p. 44- 53, ago./dez. 2012.

TARDELLI, Caio Cardoso. A torre Invedada. São Paulo: Maça de Vidro, 2015.

XAVIER, Francisco Cândido; Vieira, Waldo. Antologia dos Imortais. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 1963.

Publicado
2020-04-08
Como Citar
Borges, J. F. (2020). A literatura de autoria feminina no Brasil: um estudo sobre a trajetória de Francisca Júlia. Letrônica, 13(1), e35148. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.1.35148