O negacionismo renovado e o ofício do Historiador

Palavras-chave: Negacionismo, Historiografia, Ofício do historiador, Políticas conservadoras

Resumo

O intuito de tal artigo é entender a ampliação do conceito “negacionismo” que, nos últimos anos, não ficou restrito à contestação da existência do Holocausto, mas ampliou-se para outras áreas do saber, tanto dentro como fora da História.  Diante de tal perspectiva ampla salienta-se a repercussão da narrativa negacionista no campo historiográfico, levantando-se a hipótese que a necessidade de se contrapor a tal discurso levou a um embate epistemológico dentro da disciplina, ainda no final dos anos 1990.  A partir daí pretende-se averiguar como a narrativa negacionista ganhou legitimidade nos últimos dez anos por meio das redes sociais e da ascensão de políticas conservadoras, salientando a importância do papel ativo dos historiadores e de seu ofício nesse momento marcado pela necessária tomada de posição frente à disseminação de tais leituras proselitistas acerca do passado.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus, Fundação Pró-Memória de Indaiatuba (FPMI), Indaiatuba, SP, Brasil.

Pós-doutor em História da Arte pela Universidade de Campinas (Unicamp), em Campinas, SP, Brasil; pesquisador no Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes (DHEEAA) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), em Coimbra, Portugal; superintendente da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba (FPMI), em Indaiatuba, SP, Brasil.

Edgar Avila Gandra, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas, RS, Brasil.

Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS, Brasil; professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), em Pelotas, RS, Brasil.

Referências

ABREU, Alzira Alves de. Um político e dois depoimen-tos. In: XX ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS. Caxambu, Minas Gerais, 22 a 26 de out.1996.

ANSART, P. História e memória dos ressentimentos. In: BRESCIANE, S.; NEXARA, M. (org.).Memória (re) sentimento. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2001.

ARENDT, Hannah. Verdade e política. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa de Oliveira. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2002.

BLOCH, Marc. Apologia da História ou o Ofício de Historiador. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BOBBIO, Noberto. Direita e esquerda: razões e signifi-cados de uma distinção política. São Paulo: Unesp, 1995.

BOLESINA, Iuri; ALVES, Bruno Almir Scariot. A era da pós-verdade: como a informação tem sido relativizada. Disponível em: https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:pC83ftqtpwgJ:https://soac.imed.edu.br/index.php/mic/xiimic/paper/view/1141/338+&-cd=11&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 03 jun. 2020.

BURKE, Peter. A Escola dos Annales(1929-1989): a Revolução Francesa da Historiografia. São Paulo: UNESP, 1997.

CARDOSO, Lucileide Costa. Os discursos de celebração da ‘Revolução de 1964’. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 31, n. 62, p. 117-140, 2011. https://doi.org/10.1590/S0102-01882011000200008

CEPÊDA, Vera Alves. A Nova Direita no Brasil: contexto e matrizes conceituais. Mediações - Revista de Ciências Sociais, Londrina, v. 23, n. 2, p. 75-122, maio/ago. 2018. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/article/view/34801/pdf. Acesso em: 15 jul. 2019. https://doi.org/10.5433/2176-6665.2018v23n2p40

CERTEAU, M. A escrita da História. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000.

CHARTIER, R. A história hoje: dúvidas e desafios, propostas. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 7, n. 13, p. 97-113, 1994.

CRUZ, Natália dos Reis Negando a História: a editora revisão e o neonazismo. 1997. 240 p. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ.

CYTRYNOWICZ, Roney. As formas de lembrar e o estudo do Holocausto. In: MILLMAN, Luis; VIZENTINI, Paulo Fagundes (org.).Neonazismo, Negacionismo e Extremismo Político. Porto Alegre: UFRGS, 2000.

D’ARAUJO, Maria Celina; SOARES, Gláucio Ary Dillon; CASTRO, Celso (org.). Visões do golpe: a memória militar sobre 1964. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994a.

D’ARAUJO, Maria Celina; SOARES, Gláucio Ary Dillon; CASTRO, Celso. (org.). Os anos de chumbo: A memória militar sobre a repressão. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994b.

DELGADO, Lucília de Almeida Neves. História oral e narrativa: tempo, memória e identidades. História Oral, São Paulo, n. 6, p. 9-25, 2003.

DIAS, Reginaldo Benedito. A Comissão Nacional da Verdade, a disputa da memória sobre o período da ditadura e o tempo presente. Patrimônio e memória, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 71-95, 2013.

DOSSE, F. História em Migalhas. 3. ed. Campinas, SP: Editora Unicamp, 1994.

FERREIRA, Marieta de Moraes. História do tempo presente: desafios. Cultura Vozes, Petrópolis, v. 94, n. 3, p.111-124, maio/jun., 2000.

GINZBURG, Carlo. Solo un testigo. Revista do Instituto Nacional de Antropologia e História, México, n. 32, p. 3-20, abr./set., 1994.

HOBSBAWN, Eric. A Era dos Extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 393-421.

JESUS, Carlos Gustavo Nóbrega. Antissemitismo e nacionalismo; negacionismo e memória: Revisão Editora e as estratégias da intolerância. São Paulo: UNESP, 2006.

LARNIER, Jaron. Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais. Rio de Janeiro: Intrísinca, 2018.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas, SP: Editora Unicamp, 1992.

LOWY, Michel. Dez teses sobre a ascensão da extrema direita europeia. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/06/1469890-dez-teses-so-bre-a-ascensao-da-extrema-direita-europeia.shtml. Acesso em: 6 dez. 2017.

MARCHA da extrema-direita reúne 60 mil pessoas na Polônia. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/marcha-da-extrema-direita-reune-60-mil-pes-soas-na-polonia-22060332#ixzz50gD8KWvP. Acesso em: 6 dez. 2017

MILLMAN, Luis. Negacionismo: gênese e desenvolvimento do extermínio conceitual. In: MILLMAN, Luis; VIZENTINI, Paulo Fagundes (org.). Neonazismo, Negacionismo e Extremismo Político. Porto Alegre: [s. n.], 2000.

MORAES, Luis Edmundo de Souza. O negacionismo e o problema da legitimidade da escrita sobre o passado. In: XXVI SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – ANPUH,São Paulo, jul. 2011.

MOTTA, Marcia Maria Menendes. Veto à História: profissão existe com ou sem aval de Bolsonaro. Folha de São Paulo, São Paulo,29 abr. 2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2020/04/veto-a-his-toria.shtml. Acesso em: 10 maio 2020.

NAPOLITANO, Marcos; JUNQUEIRA, Mary Anne. Negacionismos e Revisionismos: o conhecimento histórico sob ameaça. Síntese dos debates e posicionamentos surgidos no evento promovido pelo Departamento de História da FFLCH / USP – Universidade de São Paulo. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5207773/mod_folder/content/0/NAPOLITANO%2C%20Marcos%3B%20JUNQUEIRA%2C%20Mary%20Anne.%20Como%20historiadores%20e%20professores%20devem%20lidar%20com%20negacio-nismos%20e%20revisionismos.pdf?forcedownload=1. Acesso em: 20 maio 2020.

NAQUET, Vidal. Os Assassinos da memória. Campinas. Editora Unicamp,1987.

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7-28, dez. 1993.

RIOUX, Jean Pierre. A memória coletiva. In: RIOUX, J. P.; SIRINELLI, J. F. (org.). Por uma História Cultural. Lisboa: Estampa, 1998.

ROUSSO, Henry. A memória não é mais o que era. In: AMADO, Janaína; FERREIRA, Marieta. (coord.). Usos e abusos de história oral. Rio de Janeiro: FGV, 1998. p. 93-101.

SOUZA, Marina M. Comunicação Negacionismo - 2019. Negacionismos no campo da escravidão e história africana. [S. l.]: [s. n.], 2019.

SALLES, Leonardo Gaspary. Nova Direita ou Velha Direita com Wi-Fi ?: uma interpretação das articulações da “direita” na internet brasileira. Dissertação (Mestrado) -- Universidade Federal de santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, Florianópolis, 2017.

VILMAR, D. K. A negação dos assassinatos em massa do nacional socialismo: desafios para a ciência e para educação política In: MILLMAN, L.; VIZENTINI, P. F. (org.).Neonazismo, Negacionismo e Extremismo Político. Porto Alegre: UFRGS, 2000.

VIZENTINI, Paulo Fagundes. O ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional. In: MILLMAN, L., VIZENTINI, P. F. (org.). Neonazismo, Negacionismo e Extremismo Político. Porto Alegre: [s. n.], 2000.

WHITE, Hayden. The politics of the Historical interpretation. In: WHITE, Hayden. The Content of the form. Baltimore e Londres: The Johns Hopkins University Press, 1987.

Publicado
2020-12-16
Como Citar
Jesus, C. G. N. de, & Gandra, E. A. (2020). O negacionismo renovado e o ofício do Historiador. Estudos Ibero-Americanos, 46(3), e38411. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2020.3.38411
Seção
Tribuna