Fotonovelas

Prescrevendo normas, modos e moda

Palavras-chave: fotonovela, subjetividade, gênero

Resumo

Este artigo tem como objetivo discutir a possibilidade de as fotonovelas terem sido um espaço de perpetuação de valores, de modos de ser mulher e homem, participando, assim, da constituição de subjetividades de suas leitoras. Para tanto, foram analisadas vinte fotonovelas veiculadas em exemplares da revista Capricho das décadas de 1950 e 1960. A análise do material permitiu que fossem identificadas algumas funções das fotonovelas: participação no processo de urbanização e modernização de suas leitoras, espaço de evasão/fuga das atividades cotidianas e, ainda, disseminação de códigos morais e de conduta. Por fim, cabe ressaltar que apesar da existência de um discurso normatizador, não se pode desconsiderar a agência das leitoras. A apropriação dos conteúdos veiculados deve ser compreendida como um processo ativo e que, por esse motivo, permite diferentes interpretações e apropriações de uma mesma história.

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Biografia do Autor

Raquel de Barros Pinto Miguel, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC, Brasil

Doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, SC,
Brasil; professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, SC, Brasil.

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Publicado
2021-04-24
Como Citar
Miguel, R. de B. P. (2021). Fotonovelas: Prescrevendo normas, modos e moda. Estudos Ibero-Americanos, 47(1), e38090. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2021.1.38090
Seção
Dossiê: História das Mulheres, das relações de gênero e das sexualidades dissidentes - Vol. 47, n. 1