Formando professores de Português como Língua Adicional (PLA) para a superdiversidade

Desafios

Palavras-chave: Política linguística, Superdiversidade, Formação de professores de PLA

Resumo

Este artigo tem como objetivo refletir sobre as lacunas que precisam ser equacionadas no que tange à  institucionalização na área de Português como Língua Adicional (PLA) e sobre ações glotopolíticas nesse campo. Pretendemos discutir sobre alguns efeitos da ausência de documentos que orientam o ensino em salas de aula que refletem a realidade superdiversa em que estamos inseridos. Analisamos como o Exame Celpe-Bras - Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros - tem norteado políticas de ensino de PLA e, por fim, observamos os impactos dessa influência na formação de professores de PLA. Mobilizamos, para este estudo, os conceitos de superdiversidade; de saberes locais e saberes globais; de políticas linguísticas e ações glotopolíticas. Com base nesses conceitos, mostramos alguns dos saberes necessárias para o professor dar conta desses desafios que se impõem no trabalho hoje.  

Palavras-chave: Política linguística. Superdiversidade. Formação de professores de PLA.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariana de Camargo Bessa, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil

Doutoranda em Linguística pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Graduada em Letras: Português e respectivas literaturas pela mesma instituição. Possui graduação em Letras com ênfase em Língua Inglesa e suas respectivas literaturas, também pela UFJF. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em português como Língua Estrangeira, com interesse em temas relacionados ao ensino de português para estrangeiros, formação docente, políticas linguísticas e em reflexões a respeito dos olhares para língua-cultura, identidades e saberes docentes.

Denise Barros Weiss, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil

Graduação em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1988), mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994) e doutorado em Letras pela Universidade Federal Fluminense (2007). Atualmente é professora associada da Universidade Federal de Juiz de Fora. Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em português como Língua Estrangeira, com interesse especial nos seguintes temas: português como língua estrangeira, português como língua de herança. Atua na sala de aula de português para alunos estrangeiros e na formação de professores na área de Português para estrangeiros.

Referências

BENHABIB, S. The claims of culture: equality and diversity in the global era. Princeton: Princeton University Press, 2002.

BESSA, M. C. “Somos estrangeiros e isso marca a diferença”: olhares sobre cultura em uma sala de PLE. 2017. 156 p. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, Juiz de Fora, 2017.

BIZON, A. C. Narrando o exame Celpe-Bras e o convênio PEC-G: a construção de territorialidades em tempos de internacionalização. 2015. 445 p. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, Campinas, SP, 2015.

BLOMMAERT, J. The sociolinguistics of globalization. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

BLOMMAERT, J.; RAMPTON, B. Language and superdiversity. Diversities, 13, n. 2 p. 1-21. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos: Língua Estrangeira. Brasília: MECSEF, 1997.

CALVET, Louis-Jean. As Políticas Lingüísticas. Florianópolis e São Paulo: Ipol/Parábola, 2007. 166 p.

CANAGARAJAH, S. Reconfiguring local knowledge, reconfiguring language studies. In: CANAGARAJAH, S. Reclaiming the local in language policy and practice. Mahwah, Erlbaum, 2005. p. 3-24.

CAVALCANTI, M. C. Educação linguística na formação de professores de línguas: intercompreensão e práticas translíngues. In: MOITA LOPES, L. P. Linguística Aplicada na modernidade recente. São Paulo: Parábola, 2013. p. 211-226.

CAVALCANTI, L. et al. Resumo Executivo. Imigração e Refúgio no Brasil. A inserção do imigrante, solicitante de refúgio e refugiado no mercado de trabalho formal. Observatório das Migrações Internacionais; Ministério da Justiça e Segurança pública/Nacional de Imigração e Coordenação Geral de Imigração Laboral. Brasília, DF: OBMigra, 2019.

CANCLINI, N. G. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. 4. ed. São Paulo, EdUSP, 2015. 388p.

CUNHA, M. J. C.; SANTOS, P. Tópicos em Português Língua Estrangeira. Brasília: UnB, 216.

DINIZ, L. R. A.; NEVES, A. de O. Políticas linguísticas de (in)visibilização de estudantes imigrantes e refugiados no ensino básico brasileiro. Dossiê Especial: Português como Língua Adicional em contextos de minorias: (co)construindo sentidos a partir das margens. Revista X, Curitiba, 13, n. 1, p. 87-110, 2018. http://dx.doi.org/10.5380/rvx.v13i1.61248

FABRICIO, B. Processos de ensino-aprendizagem, educação linguística e descolonialidade. In: ZOLIN-VESZ, F (org.). Linguagens e decolonialidades: práticas linguageiras e produção de (des)colonialidades no mundo contemporâneo. Campinas: Pontes, 2017.

KUMARAVADIVELU, B. A linguística aplicada na era da globalização. In: MOITA LOPES, L. P. (org). Por uma Linguística Aplicada Indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006. p. 129-148.

LAGARES, X. C. Qual política linguística? Desafios glotopolíticos contemporâneos. São Paulo: Parábola, 2006.

LEROY, H. R. Dos Sertões para as Fronteiras e das Fronteiras para os Sertões: as (in)visibilidades das identidades performativas nas práticas translíngues, transculturais e decoloniais no ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa Adicional da UNILA. 2018. Tese (Doutorado). Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, Cascavel, PR, 2018.

MAKONI, S.; PENNYCOOK, A. 2015. Desinventando e (re)constituindo línguas. Working papers em Linguística, v. 16, n. 2, p. 9-34. https://doi.org/10.5007/1984-8420.2015v16n2p9

MOITA LOPES, L.P. (org.). O português no século XXI: Cenário geopolítico e sociolinguístico. São Paulo: Parábola, 2013.

NÓBREGA, M. H. da. Políticas linguísticas e internacionalização da língua portuguesa: desafios para a inovação. Revista de Estudos da Linguagem, 24, n. 2, p. 417-445, 2016. http://dx.doi.org/10.17851/2237-2083.24.2.417-445

PENNYCOOK, A. Language and mobility: unexpected places. New York, Multilingual Matters, 2012. 186 p.

PINTO, C. R. J. Quem tem direito ao “uso do véu”? Uma contribuição para pensar a questão brasileira. Cadernos Pagu, v. 26, p. 377-403. https://doi.org/10.1590/S010483332006000100015

RAJAGOPALAN, K. Política de ensino de línguas no Brasil: história e reflexões prospectivas. In: MOITA LOPES, L. P. Linguística Aplicada na modernidade recente. São Paulo: Parábola, 2013. p. 143-161.

RAJAGOPALAN, K. Review of language and politics by John Joseph. Applied Linguistics, v. 28, p. 330-333, 2007.

SANTOS, B. S. 2018. Na oficina do sociólogo artesão: aulas 2011-2016. São Paulo: Cortez, 408 p.

SCHOFFEN, J. R.; MARTINS, A. F. Políticas linguísticas e definição de parâmetros para o ensino de português como língua adicional: perspectivas portuguesa e brasileira. ReVEL, v. 14, n. 26, 2016.

UNITED NATIONS. Department of Economic and Social Affairs, Population Division. International Migration Report 2017: Highlights (ST/ESA/SER.A/404).

URVINIS, P. Reflexões sobre os saberes locais-globais de professoras de inglês da rede pública. 2007. 124 p. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP, São Paulo, SP, 2007.

VERTOVEC, S. Super-diversity and its implications. Ethnic and racial studies, v. 30, n. 6, p. 1024-1054, 2007. https://doi.org/10.1080/01419870701599465

Publicado
2020-12-31
Como Citar
Bessa, M. de C., & Weiss, D. B. (2020). Formando professores de Português como Língua Adicional (PLA) para a superdiversidade: Desafios. Letras De Hoje, 55(4), e38360. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2020.4.38360
Seção
PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL: LINGUÍSTICA E TRADUÇÃO