“Aqui é uma casa masculina!”: Juventude “trans” e socioeducação

Palavras-chave: Privação de Liberdade. Diversidade de Gênero.

Resumo

Este artigo visa dar visibilidade a uma questão pouco discutida, tanto no meio científico quanto no âmbito das políticas públicas, tendo como ponto de partida, o ingresso de uma adolescente transgênero em uma unidade de cumprimento de medida socioeducativa da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande Sul (Fase-RS), destinada exclusivamente a homens (adolescentes e jovens adultos) cisgênero com idade de 12 a 21 anos. Focada na trajetória de Rosa, a pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso a partir do qual interrogamos como as instituições e as leis incidiram sobre a trajetória socioeducativa da jovem em questão. Constatou-se a falta de um programa específico para a população LGBT na política nacional e nas instituições locais, o que resulta na falta de orientação técnica das equipes para acolher esses jovens, dando margem para todos os tipos de discricionaridades.

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Biografia do Autor

Marjori Heitich Fontoura, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS.

Mestre em Ciências Sociais pelo PPG em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, RS, Brasil). Psicóloga em uma unidade da Fase-RS.

Fernanda Bittencourt Ribeiro, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS.

Doutora em Antropologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), em Paris, França. Professora da faculdade de Ciências Sociais e do PPG em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

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Publicado
2020-08-19
Como Citar
Fontoura, M. H., & Ribeiro, F. B. (2020). “Aqui é uma casa masculina!”: Juventude “trans” e socioeducação. Conversas & Controvérsias, 7(1), e35321. https://doi.org/10.15448/2178-5694.2020.1.35321
Seção
Dossiê - Juventudes, participação e políticas públicas