O autoritarismo brasileiro entre Césares e Napoleões

Palavras-chave: Autoritarismo, Brasil, Cesarismo, Bonapartismo, Revolução-restauração

Resumo

O objetivo deste artigo consiste em propor uma hipótese explicativa para o autoritarismo contemporâneo no Brasil que leve em conta de modo consequente as especificidades da nossa cultura e história. Para tanto, e para problematizar as propostas interpretativas baseadas em uma reedição brasileira do fascismo italiano, iniciaremos discutindo o problema da repetição na história e a função heurística do passado e da cultura nacional na explicação do presente a partir de Hegel, Marx e Gramsci. Como conclusão, sugerimos interpretar o bolsonarismo como forma política atual da restauração reacionária neoliberal no Brasil. 

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Biografia do Autor

Luciana Aliaga, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB, Brasil.

Doutora e mestre em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas, SP, Brasil. Professora no departamento de Ciências Sociais e do Programa de pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, PB, Brasil.

Hélio Ázara, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Campina Grande, PB, Brasil.

Doutor e mestre em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas, SP, Brasil. Professor de Filosofia na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Campina Grande, PB, Brasil.

 

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Publicado
2022-08-16
Como Citar
Aliaga, L., & Ázara, H. (2022). O autoritarismo brasileiro entre Césares e Napoleões. Civitas: Revista De Ciências Sociais, 22, e41413. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2022.1.41413
Seção
Dossiê: Teorias críticas sobre o autoritarismo