“Conhecimento não se vende”

A colonialidade e o embate de perspectivas sobre os conhecimentos tradicionais

Palavras-chave: Conhecimentos tradicionais, Colonialidade do saber, do poder e do ser, Cosmopolítica, Recursos genéticos

Resumo

A colonialidade do poder, do saber e do ser se perpetua no imaginário moderno através do avanço da mercantilização massiva sobre as plantas, a terra, a água, o conhecimento. Esse processo, que se inicia no século 15, com a constituição da América, avança desde então sobre os territórios e os conhecimentos dos povos que foram colonizados. Nesse sentido, analiso um acontecimento que ocorreu no ano de 2014, no Encontro da Região Sul de Povos e Comunidades Tradicionais, em Curitiba/Paraná, no qual se estabeleceu um embate cosmopolítico sobre um projeto de transformação dos saberes tradicionais em patentes. Essa proposta envolveu, por um lado, agentes do estado, do mercado e da ciência, que almejavam convertê-los em fonte de lucro, e, por outro, os povos e comunidades tradicionais para quem esses conhecimentos são coletivos e circulam entre si, compondo seus modos de existência.

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Biografia do Autor

Josiane Carine Wedig, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFP), Pato Branco, PR, Brasil.

Doutora em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil; professora do Departamento de Ciências Humanas e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Pato Branco, PR, Brasil.

 

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Publicado
2021-08-24
Como Citar
Wedig, J. C. (2021). “Conhecimento não se vende” : A colonialidade e o embate de perspectivas sobre os conhecimentos tradicionais. Civitas - Revista De Ciências Sociais, 21(2), 334-343. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2021.2.36119