Associativismo e patrimônio italianos
Hospital Matarazzo de São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.15448/1980-864X.2025.1.47489Palavras-chave:
Hospital Matarazzo/SP, imigração italiana, associativismo, patrimônio, beneficênciaResumo
O Hospital Matarazzo/SP, importante remanescente da presença italiana em São Paulo, teve seus edifícios tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de SP (Condephaat) em 1986, num momento em que a instituição enfrentava grave crise, que, inclusive, levou ao encerramento de suas atividades em 1993. O conjunto construtivo foi vendido (em 1996), ficando abandonado por décadas, até ser comprado pelo grupo Allard (em 2011), que, após articulações, conseguiu a revisão do tombamento e construiu um complexo de alto luxo denominado “Cidade Matarazzo”, composto de hotel, escritórios, shopping center, centro cultural e gastronômico. Essas reflexões geram questionamentos sobre por que nesse momento celebrativo dos 150 anos da imigração italiana, numa cidade como São Paulo, na qual a comunidade italiana foi/é tão expressiva, ocorrem tais descaso, descuido e destruição para com o patrimônio histórico, que sucumbe ante os interesses do capital imobiliário. Assim sendo, estes escritos buscam discutir a presença italiana na cidade de São Paulo, as suas práticas associativistas, a constituição das associações beneficentes da comunidade italiana em São Paulo, a criação do Hospital Matarazzo, sua crise e fechamento e a destruição do patrimônio.
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