“Escrevo porque quero ser lido(a)”
vozes estudantis decoloniais na construção de um jornal escolar no Sertão Paraibano
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48297Palavras-chave:
Escrita, Jornal escolar, Gêneros jornalísticos, DecolonialidadeResumo
Este artigo analisa a experiência de produção colaborativa de um jornal escolar por estudantes do Ensino Médio de uma instituição pública federal no Sertão Paraibano, a partir de uma abordagem fundamentada na Teoria Dialógica da Linguagem e nos Estudos Decoloniais. A proposta emergiu da necessidade de ressignificar o ensino da escrita como prática social situada, responsiva e ética, rompendo com modelos escolares tecnicistas e normativos. A pesquisa assumiu caráter qualitativo e interventivo, ancorada na pesquisa-ação colaborativa, com geração de dados por meio de questionários aplicados antes e após a produção do jornal, textos autorais dos/as estudantes e diário de campo da pesquisadora. Os gêneros jornalísticos – especialmente a entrevista – foram mobilizados como instrumentos de escuta, autoria e circulação de vozes historicamente silenciadas. A análise dialógica dos dados revelou deslocamentos significativos nas concepções dos/as estudantes sobre a escrita, que passou a ser entendida como prática de autoria, participação comunitária e intervenção crítica no mundo. Conclui-se que a escrita escolar, quando concebida sob uma perspectiva decolonial e dialógica, pode tornar-se espaço de reinvenção epistêmica e de afirmação dos sujeitos como produtores legítimos de saber e discurso.
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