As heranças que vêm do tempo do cativeiro

considerações sobre as vivências de mulheres negras no romance Água de barrela (2018)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7726.2026.1.48156

Palavras-chave:

Água de barrela, Escravidão, Interpretes do Brasil, Pós-abolição, Racismo

Resumo

O presente estudo, partindo do romance afro-brasileiro Água de barrela (2018), da escritora Eliana Alves Cruz, almeja desvelar como o histórico e persistente sistema escravocrata não apenas determinou e estruturou, mas ainda continua a moldar uma convergência de violências que sujeitos negros – em específico as mulheres – enfrentam na contemporaneidade. Essas manifestações de violência, mesmo que sejam transfiguradas, persistem sob a alcunha do chamado racismo estrutural. Além de sua relevância temática, por ser uma metaficção historiográfica, a obra apresenta as violências do período escravocrata e, consequentemente, o estudo mostra como  as novas opressões raciais da modernidade são atualizações das antigas formas de opressão, estabelecendo assim um elo direto com o período escravocrata. A narrativa de Água de barrela (2018) é iniciada com o desumano sequestro e tráfico de negros no continente africano para o Brasil e, por fazer a alternância dos focos narrativos, a obra mostra como a escravidão teve impactos diferentes em corpos diferentes. Diante disso, o trabalho aborda recortes das vivências de quatro mulheres: Anolina, Martha, Damiana e Dodó. Cada uma delas representa contextos diversos do Brasil; consequentemente, são tangenciadas por manifestações diversas da escravidão e do racismo, sendo intérpretes da nação marginalizada e descentrada. Ademais, o estudo mostra como outros sistemas de opressão, como o patriarcalismo, atuam de forma conjunta com o racismo na subjugação das mulheres negras. O estudo tem como subsídio teórico postulações dos Estudos Culturais, da Filosofia e da Sociologia. Essa fundamentação teórica interdisciplinar permite um entendimento mais aprofundado sobre o racismo como um sistema de opressão que impacta, diretamente, todas as áreas de vivência do indivíduo.

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Biografia do Autor

Natacha dos Santos Esteves, Universidade Estadual de Maringá – UEM.

Doutoranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), na área de concentração Estudos Literários. Possui mestrado em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), na área de concentração Estudos Literários, linha de pesquisa: Literatura e Construção de Identidades, com a dissertação intitulada “The hate u give: racismo sistêmico e resistência no romance pós-colonial de Angie Thomas”. Além disso, integra o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação, Diversidade e Cultura (GEPEDIC), da Unespar.

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Publicado

2026-06-12

Como Citar

Esteves, N. dos S. (2026). As heranças que vêm do tempo do cativeiro: considerações sobre as vivências de mulheres negras no romance Água de barrela (2018). Letras De Hoje, 61(1), e48165. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2026.1.48156