Segregacionismo e transposição espacial em As mulheres do imperador, de Ungulani Ba Ka Khosa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48387

Palavras-chave:

As mulheres do imperador, Ungulani Ba Ka Khosa, espaço, Moçambique, romance histórico.

Resumo

A atual capital de Moçambique, Maputo, foi fundada no século XVI por dois exploradores portugueses, tendo recebido o nome de um deles, Lourenço Marques, e adquirindo o nome atual em março de 1976. Em realidade, ao longo dos séculos, a “cidade” foi um simples entreposto comercial, ganhando importância apenas na segunda metade do século XIX e substituindo a Ilha de Moçambique como capital da colônia apenas em 1898. É, portanto, só a partir deste período que assume a forma que a caracteriza até os nossos dias. Este trabalho visa estudar a forma como a cidade é representada no romance As mulheres do imperador (2017) de Ungulani Ba Ka Khosa. A abordagem baseia-se nas técnicas de representação do espaço urbano e suburbano a partir de noções como topografia e pragmatografia. No entanto, integrando-se a categoria narratológica de espaço com outras como personagem, narração e focalização, também será analisada a configuração de algumas das personagens do romance na sua relação com a representação espacial.

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Biografia do Autor

Mauro Cavaliere, Universidade Roma Tre, Roma, Itália.

Professor Associado de Língua e Tradução Portuguesa e Brasileira na Universidade Roma Tre desde 2024. Anteriormente, ele foi professor associado de literatura em língua portuguesa na Universidade de Estocolmo (2003-2023). Sua pesquisa nos últimos vinte anos tem se concentrado nos seguintes tópicos: romance histórico em língua portuguesa (romântico e pós-moderno), autoficção, romance histórico do passado recente (século XIX e contemporâneo), literatura comparada (principalmente de língua portuguesa e espanhola), teoria do personagem.

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Publicado

2025-12-10

Como Citar

Cavaliere, M. (2025). Segregacionismo e transposição espacial em As mulheres do imperador, de Ungulani Ba Ka Khosa. Letras De Hoje, 60(1), e48387. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48387