Haroldo de Campos e sua epistemologia constelar da tradução nos trópicos
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.47170Palavras-chave:
Tradução Literária., Teoria Constelar., Haroldo de Campos., Estudos da Tradução., Literatura Comparada.Resumo
O presente artigo tem como objetivo principal investigar como a epistemologia da tradução literária de Haroldo de Campos perpassa pela imagem da constelação mallarmaica e se torna, portanto, uma teoria constelar – que privilegia a visão sincrônica do ato tradutório. Essa evocação imagética se vê indissociável de uma sincronia na poesia, que vai e volta na tipografia do papel sem necessariamente seguir uma ordem preestabelecida. Não obstante, Campos mobiliza essa ideia em sua teoria da tradução, constelar por excelência. O ato tradutório e a história, para ele, se veem indissociáveis da sincronia, pois apenas construímos passado e presente a partir da existência de um diálogo, um movimento contínuo. Além do mais, não deixa de ser parte desse objetivo maior a concretização de um estudo que privilegie uma visão desconstrutora do logocentrismo, tendo em vista que, mesmo com o avanço dos estudos tradutórios nos últimos tempos, ainda predominam ideias mais obsoletas, como a ideia de tradução servil, dívidas e influências. Assim, tomando por base a teoria constelar da tradução de Haroldo de Campos, pretendemos analisar, por meio de uma leitura dos estudos da tradução e da literatura comparada, como essa concepção mallarmaica se viu presente. Para tanto, valemo-nos dos pressupostos de Jacques Derrida (2001, 2006), Jorge Luis Borges (1999), Márcio Seligmann-Silva (2018), Silviano Santiago (2000), Susana Kampff Lages (1998) e Walter Benjamin (2010). Ademais, também de materiais organizados por Inês Oseki-Dépré (2012), Marcelo Tápia e Thelma Médici Nóbrega (2013).
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