Haroldo de Campos e sua epistemologia constelar da tradução nos trópicos

Autores

  • Rony Márcio Cardoso Ferreira Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Mato Grosso do Sul, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-4084-3956
  • Luana Cavalieri de Alencar Dutra Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Mato Grosso do Sul, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-0272-884X

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.47170

Palavras-chave:

Tradução Literária., Teoria Constelar., Haroldo de Campos., Estudos da Tradução., Literatura Comparada.

Resumo

O presente artigo tem como objetivo principal investigar como a epistemologia da tradução literária de Haroldo de Campos perpassa pela imagem da constelação mallarmaica e se torna, portanto, uma teoria constelar – que privilegia a visão sincrônica do ato tradutório. Essa evocação imagética se vê indissociável de uma sincronia na poesia, que vai e volta na tipografia do papel sem necessariamente seguir uma ordem preestabelecida. Não obstante, Campos mobiliza essa ideia em sua teoria da tradução, constelar por excelência. O ato tradutório e a história, para ele, se veem indissociáveis da sincronia, pois apenas construímos passado e presente a partir da existência de um diálogo, um movimento contínuo. Além do mais, não deixa de ser parte desse objetivo maior a concretização de um estudo que privilegie uma visão desconstrutora do logocentrismo, tendo em vista que, mesmo com o avanço dos estudos tradutórios nos últimos tempos, ainda predominam ideias mais obsoletas, como a ideia de tradução servil, dívidas e influências. Assim, tomando por base a teoria constelar da tradução de Haroldo de Campos, pretendemos analisar, por meio de uma leitura dos estudos da tradução e da literatura comparada, como essa concepção mallarmaica se viu presente. Para tanto, valemo-nos dos pressupostos de Jacques Derrida (2001, 2006), Jorge Luis Borges (1999), Márcio Seligmann-Silva (2018), Silviano Santiago (2000), Susana Kampff Lages (1998) e Walter Benjamin (2010). Ademais, também de materiais organizados por Inês Oseki-Dépré (2012), Marcelo Tápia e Thelma Médici Nóbrega (2013).

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Biografia do Autor

Rony Márcio Cardoso Ferreira, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Mato Grosso do Sul, Brasil.

Doutor em Literatura (Literatura e Práticas Sociais), na linha de pesquisa Estudos Literários Comparados, pela Universidade de Brasília (UnB). Professor de Literatura Brasileira dos Cursos de Letras da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (FAALC) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Professor Permanente dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Estudos de Linguagens (PPGEL/FAALC), Letras (PPGLetras/CPTL), e Letras na Unidade Universitária de Campo Grande da UEMS.

Luana Cavalieri de Alencar Dutra, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Mato Grosso do Sul, Brasil.

Mestre em Letras pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (PPGLetras/UEMS), onde desenvolveu pesquisa sobre Haroldo de Campos (Área de Concentração: Estudos Literários; Linha de Pesquisa: Literatura, História e Memória Cultural). Graduada em Letras Português e Espanhol, Licenciatura, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Atualmente, é professora de Inglês e Espanhol no Centro de Cultura Anglo-Americana (CCAA).

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Publicado

2025-08-28

Como Citar

Cardoso Ferreira, R. M., & Cavalieri de Alencar Dutra, L. (2025). Haroldo de Campos e sua epistemologia constelar da tradução nos trópicos. Letras De Hoje, 60(1), e47170. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.47170