O trabalho invisível, a saúde e o reconhecimento de professores neurodivergentes em contextos educacionais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1981-2582.2026.1.49529

Palavras-chave:

Trabalho docente, Saúde ocupacional, Neurodiversidade, Normalização, Educação inclusiva (EI)

Resumo

Este estudo analisa criticamente como professores neurodivergentes são reconhecidos e acolhidos nos contextos educacionais, com ênfase nas relações entre condições de trabalho, saúde docente e práticas institucionais de inclusão. Realizou-se uma revisão integrativa qualitativa da literatura, contemplando estudos empíricos e teóricos publicados entre 2005 e 2026, identificados nas bases Scopus, Web of Science, ERIC, PsycINFO e Google Scholar. Foram incluídos estudos diretamente relacionados às experiências profissionais de docentes neurodivergentes e, complementarmente, produções pertinentes à compreensão da saúde, do bem-estar e das condições de trabalho desses docentes, excluindo- se estudos centrados exclusivamente em estudantes. Ao final do processo de seleção, 31 estudos constituíram o corpus da revisão e foram submetidos à análise temática qualitativa. Os resultados evidenciaram uma produção ainda limitada e geograficamente desigual, com maior presença de investigações diretamente centradas em professores neurodivergentes no cenário internacional e escassez de estudos empíricos específicos no contexto brasileiro. A síntese da literatura revelou experiências relacionadas à invisibilização institucional, à predominância de expectativas neurotípicas de competência profissional, à camuflagem social, à sobrecarga cognitiva e emocional e às barreiras de acesso ao suporte e às adaptações no ambiente de trabalho. Em contrapartida, práticas de reconhecimento, adaptações razoáveis e suporte institucional emergiram como elementos relevantes para o bem-estar e a permanência desses profissionais na docência. Conclui-se que uma concepção de inclusão centrada exclusivamente nos estudantes permanece insuficiente diante da diversidade presente também entre aqueles que ensinam. Em suma, o estudo contribui para ampliar a agenda da educação inclusiva ao posicionar a neurodivergência como dimensão legítima da diversidade docente e ao destacar a necessidade de respostas institucionais sensíveis às condições de trabalho, à saúde e ao reconhecimento profissional de professores neurodivergentes.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mayker Lazaro Dantas Miranda, Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, Brasil.

Licenciado em Química pela Universidade Federal de Mato Grosso, mestre e doutor em Química pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Professor e pesquisador do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul – Campus Campo Grande.

Referências

Bezerra, J. R. da S. (2025). Desafios e estratégias para docentes autistas: Análise das necessidades e oportunidades em ambientes educacionais inclusivos. Revista OWL, 3(2), 436-447. https://doi.org/10.5281/zenodo.15597578

Botha, M., & Frost, D. M. (2020). Extending the minority stress model to understand mental health problems experienced by the autistic population. Society and Mental Health, 10(1), 20-34. https://doi.org/10.1177/2156869318804297

Bressman, N. R., Fritz, H. L., Freeman, A. R., Bradley, C. J., Koehl, M. A. R., Müller, U. K., & Carlson, H. N. (2026). Strengths, challenges, and experiences of neurodivergent faculty in academia. Integrative and Comparative Biology, 66, Article icag019. https://doi.org/10.1093/icb/icag019

Costa, S. H. B. (2023). A influência do contexto de trabalho na saúde de servidores de instituição federal de ensino superior. Trabalho (En)Cena, 8, Article e023024. https://doi.org/10.20873/2526-1487e023024

Dalagasperina, P., & Monteiro, J. K. (2016). Estresse e docência: Um estudo no ensino superior privado. Revista Subjetividades, 16(1), 37-51. https://doi.org/10.5020/23590777.16.1.37-51

Dwyer, P. (2022). The neurodiversity approach(es): What are they and what do they mean for researchers? Human Development, 66(2), 73-92. https://doi.org/10.1159/000523723

Ferreira, J. M., & Nozi, G. S. (2025). A inclusão de estudantes com transtorno do espectro autista no ensino superior: Um retrato dessa temática no cenário acadêmico. Revista Momento – Diálogos em Educação, 34(2), 382-407. https://doi.org/10.63595/momento.v34i2.17229

Higgins, J. M., Arnold, S. R. C., Weise, J., Pellicano, E., & Trollor, J. N. (2021). Defining autistic burnout through experts by lived experience: Grounded Delphi method investigating #AutisticBurnout. Autism, 25(8), 2356-2369. https://doi.org/10.1177/13623613211019858

Jones, S. C. (2023). Autistics working in academia: What are the barriers and facilitators? Autism, 27(3), 822-831. https://doi.org/10.1177/13623613221118158

Kadodia, Z. (2026). Neuronormative atmospheres and the language of the pathology paradigm. Phenomenology and the Cognitive Sciences. https://doi.org/10.1007/s11097-026-10180-0

Keddie, A. (2012). Schooling and social justice through the lenses of Nancy Fraser. Critical Studies in Education, 53(3), 263-279. https://doi.org/10.1080/17508487.2012.709185

Kenny, N., Doyle, A., O’Neill, C., Doyle, J. K., O’Kelly, J., Earley, F., & Neilson, S. (2026). “Tell me what my job is”: A qualitative exploration of the experiences of autistic academic staff working in higher education in Ireland. Autism, 30(7), 1724-1737. https://doi.org/10.1177/13623613261440799

Kikabhai, N. (2022). How educational systems respond to diversity, inclusion and social justice: Disability, power, discipline, territoriality and deterritorialization. The British Journal of Sociology, 73(4), 685-698. https://doi.org/10.1111/1468-4446.12969

Kuzmanov, I. (2025). Strategic need for talent: Neurodiversity and the future of leadership. Journal of Novel Research and Innovative Development, 3(2), Article a113-a142. https://doi.org/10.1729/Journal.43722

Newson, A. (2024). Double burnout: Exploring the experiences of Autistic and educator burnout among Autistic educators in the United States [Tese de Doutorado]. Universidade de Oregon. ResearchGate. https://doi.org/10.13140/RG.2.2.22996.00648

Nunes, M. M. S., & Oliveira, M. S. P. de. (2025). A importância da minimização dos impactos do ambiente de trabalho à saúde mental do trabalhador. Revista Foco, 18(9), e9654. https://doi.org/10.54751/revistafoco.v18n9-031

Nwoko, J. C., Emeto, T. I., Malau-Aduli, A. E. O., & Malau-Aduli, B. S. (2023). A systematic review of the factors that influence teachers’ occupational wellbeing. International Journal of Environmental Research and Public Health, 20(12), 6070. https://doi.org/10.3390/ijerph20126070

O’Dwyer, A. (2022, maio 9). Where are all the neurodivergent teaching professionals? Sixth Form Colleges Association. https://www.sixthformcolleges.org/

Pedrotti, G. M. de A., Calabria, F. B., Oliveira, R. R. de, Junior, Vieira, C. C., & Behm, L. K. (2025). Transtorno do espectro autista em adultos: Características, desafios e intervenções terapêuticas. Caderno Pedagógico, 22(12),e21022. https://doi.org/10.54033/cadpedv22n12-284

Pizzinga, V. H., Gonçalves, R., & Marchiori, G. (2022). Espaço de conversa sobre o trabalho e o trabalhar: Breve análise de uma prática de psicodinâmica do trabalho em uma instituição de ensino. Fractal: Revista de Psicologia, 34, e40648. https://doi.org/10.22409/1984-0292/2022/v34/40648

Reis, E. J. F. B. dos, Araújo, T. M. de, Carvalho, F. M., Barbalho, L., & Silva, M. O. e. (2006). Docência e exaustão emocional. Educação & Sociedade, 27(94), 229-253. https://doi.org/10.1590/S0101-73302006000100011

Scott, M., & Gibson, P. F. (2023). Designing institutional systems that support neurodivergent educators. Compass: Journal of Learning and Teaching, 16(2), 36-41. https://doi.org/10.21100/compass.v16i2.1432

Silva, A. K. A., Oliveira, E. N., Cordeiro, J. W. de P., Souza, A. G., Pereira, P. S., & Oliveira, R. A. de O., Neta. (2024).

Síndrome de burnout em professores e suas causas: Uma revisão integrativa. Revista Baiana de Saúde Pública, 48(2), 117-128. https://doi.org/10.22278/2318-2660.2024.v48.n2.a4067

Silva, R. A. da. (2025). Sofrimentos emocionais implicados no trabalho docente manifestados por professores: Uma revisão bibliográfica. Research, Society and Development, 14(4), e2914448626. https://doi.org/10.33448/rsd-v14i4.48626

Snyder, H. (2019). Literature review as a research methodology: An overview and guidelines. Journal of Business Research, 104, 333-339. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2019.07.039

Souza, A. N. de, & Leite, M. de P. (2011). Condições de trabalho e suas repercussões na saúde dos professores da educação básica no Brasil. Educação & Sociedade, 32(117), 1105-1121. https://doi.org/10.1590/S0101-73302011000400012

Souza, W. F., Brito, J. C. de, & Athayde, M. R. C. de. (2018). Formação, saúde mental e trabalho: Um patrimônio e uma estratégia. Fractal: Revista de Psicologia, 30(2), 121-130. https://doi.org/10.22409/1984-0292/v30i2/5868

Torraco, R. J. (2005). Writing integrative literature reviews: Guidelines and examples. Human Resource Development Review, 4(3), 356-367. https://doi.org/10.1177/1534484305278283

Wang, X., Ironsi, C. S., & Bostanci, H. B. (2026). Inclusive pedagogical strategies for supporting neurodivergent teachers in language education. Research in Autism Spectrum Disorders, 130, Article 202777. https://doi.org/10.1016/j.reia.2025.202777

Whittemore, R., & Knafl, K. (2005). The integrative review: Updated methodology. Journal of Advanced Nursing, 52(5), 546-553. https://doi.org/10.1111/j.1365-2648.2005.03621.x

Wood, R. (2024). Happier on the outside? Discourses of exclusion, disempowerment and belonging from former autistic school staff. Journal of Research in Special Educational Needs, 24, 39-52. https://doi.org/10.1111/1471-3802.12612

Wood, R., & Happé, F. (2023). What are the views and experiences of autistic teachers? Findings from an online survey in the UK. Disability & Society, 38(1), 47-72. https://doi.org/10.1080/09687599.2021.1916888

Wood, R., Gagat-Matula, A., Domagała-Zyśk, E., & Mazur vel Butynski, M. (2025). ‘We are here and we deserve it’: Being an autistic teacher in Poland. International Journal of Inclusive Education, 30(6), 1076-1091. https://doi.org/10.1080/13603116.2025.2518393

Downloads

Publicado

2026-11-06

Como Citar

Dantas Miranda, M. L. (2026). O trabalho invisível, a saúde e o reconhecimento de professores neurodivergentes em contextos educacionais. Educação, 49(1), e49529. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2026.1.49529